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Sobre o autor

Angela Tartas

Angela Tartas é uma escritora apaixonada pelas escrituras. Dessa paixão, surgiu a vontade de dedicar parte do seu tempo ao estudo da Palavra. Ela foi aluna da nossa escola de teologia e ministério (ETM) e continua sua busca por mais conhecimento sobre o Eterno.

Esse mês traremos histórias de mulheres para nos encorajar ainda mais em nossa jornada. Se você gosta de ler temas relacionados à teologia, com certeza já ouviu falar de Francis Schaeffer. Hoje conheceremos um pouco sobre sua esposa, Edith Schaeffer. Ela escreveu apenas dois livros a menos que seu esposo, somando 20 livros. Dois de seus livros publicados ganharam o Prêmio Medalhão de Ouro da Associação de Editoras Cristãs Evangélicas. O fato de não termos conhecimento de todos esses seus livros se dá por conta de apenas poucos deles terem sido traduzidos para o português.

Edith Seville nasceu na China em uma cidade chamada Wenzhou, seus pais eram missionários em serviço no interior desse país. Depois eles vieram para os EUA onde ela cresceu. Edith morou na Pensilvânia onde também conheceu seu esposo Francis Schaeffer e frequentou o Beaver College.

Um pouco da história de Edith Schaeffer

A saber, a maneira como Edith conheceu seu esposo Francis Schaeffer é peculiar. Durante um período de férias de seus estudos acadêmicos, Francis Schaeffer vem visitar sua família na Pensilvânia, e ele vai para a antiga igreja que  frequentava. Nesse dia a igreja realizaria uma palestra para jovens, em que o palestrante, um ex membro da igreja, chamado Ed Bloom, vai palestrar sobre: “Como eu sei que Jesus não é filho de Deus e como eu sei que a Bíblia não é a palavra de Deus”. Perceba o nível do desafio para Edith e um jovem seminarista como Francis, se deparar em uma palestra com esse tema. Claramente a igreja tinha se tornado  liberal.

Assim, o registro que temos desse episódio vem dela. Edith diz que sentiu muito desconforto com o que estava acontecendo ali. Temos o registro dos dois fazendo uma defesa da fé ortodoxa. Cada um com seus argumentos, Edith é mais articulada para falar, ela apresentará argumentos de professores do Westminster Theological Seminary que eram amigos de seu pai. Nesse episódio ambos ficam admirados um com o outro. Após esse dia  eles começam um relacionamento por meio de cartas até que Schaeffer terminasse seus estudos e voltasse a morar na sua antiga cidade. Três anos depois da situação da palestra, eles se casam.

Pelo fato de Edith ter sido criada em um contexto missionário, ela estava acostumada a fazer do simples algo marcante. O casamento deles não foi nada glamoroso. Já na lua de mel, em uma cabana, eles precisaram primeiro fazer uma faxina nela antes de sua lua de mel. Edith costurava ternos masculinos e vestidos de mão-cheia para que seu esposo pudesse continuar seus estudos. Em seu livro “A celebração do Matrimônio” você pode ler e conhecer mais sobre essas histórias.

A Simplicidade que transforma                 

Certamente você pode ler coisas fantásticas sobre a história de Edith. Mas uma das coisas que eu gosto a respeito da história dela, é o quanto ela acreditava na criatividade que existe em cada um de nós. Desde pinturas, escritas, jardinagem e decoração, nada era considerado simples ou irrelevante ao seu olhar. Não é inspirador pensar assim?

Das muitas histórias que você pode ler sobre ela, você verá que a sua marca é hospitalidade. As pessoas que frequentavam a casa dos Schaeffers se sentiam como parte da família. Ela fazia coisas simples, como uma decoração de mesa, se tornar uma experiência para quem os visitava. Era a simplicidade que transformava a vida de quem os visitava.

Mesmo que ela não tivesse escrito seus livros, ainda assim teríamos relatos e testemunhos de pessoas que foram abençoadas pela forma de servir de Edith. Essa frase pode nos indicar um pouco de como era a fama dela “Os pãezinhos de canela da Sra. Schaeffer levou tantas pessoas a Cristo quanto os sermões do Sr. Schaeffer”. Ainda assim, seus livros escritos são de riquíssimo conteúdo familiar e devoção.

Aprendendo sobre hospitalidade com Edith Schaeffer

Em resumo, poderíamos falar de muitas outras histórias tanto de Edith quanto do casal. Mas sem dúvidas, hospitalidade é algo que podemos aprender no exemplo dela. A princípio, podemos entender que com o pouco que temos hoje já é possível marcar a vida de pessoas à nossa volta. Veja bem, cordialidade é algo acessível a todos. Nós mulheres temos o dom de acolher, devemos colocar isso em prática.

Por certo, o ato de se doar é uma característica dada para nós, mulheres,  já parou para pensar que quando nasce um filho, a mulher se doa por muitos anos em prol dessa vida? Abrir mão de seu conforto, de seu sono e muitas mulheres se doam a ponto de darem uma pausa em suas carreiras por suas famílias.

Para exemplificar, esses dias, uma pessoa muito querida me surpreendeu. Ela é uma excelente dentista, dessas que vivia com a agenda cheia, era difícil marcar horário com ela. Lembro-me de sua tristeza em não conseguir engravidar. E em uma de nossas consultas com ela, eu e minha mãe oramos e choramos naquele consultório pedindo a graça de Deus para que ela engravidasse. Pouco tempo depois ela engravidou e hoje já está com seu filho de quase dois anos.

Aliás, sabe aonde ela me surpreendeu? Quando ela declarou em suas redes sociais uma “Nota de Despedida”. Nessa nota ela declarou estar fazendo uma pausa em sua carreira para estar mais presente com sua família. Sim, essa graça é dada para as mulheres. Pois, todo ser humano direta ou indiretamente, tem em sua formação, a participação efetiva e eficazmente de uma mulher. Isso não desgasta a mulher, isso a torna feminina.

Praticando a hospitalidade

Por fim, se você já é casada, tem sua casa, faça como a Edith, e torne esse o lugar mais aconchegante para sua família e todos que frequentarem seu lar. Se você for sozinha, isso não é motivo para não praticar hospitalidade. A hospitalidade implica em abrir espaço e fazer as pessoas se sentirem bem-vindas. Isso pode ser tanto em nossos lares como em nossas igrejas.

Aliás, Jesus é o nosso exemplo de hospitalidade. Ele não fez acepção de pessoas. Por vezes, podemos  praticar cordialidade sendo bons ouvintes para aqueles que não têm com quem conversar. Além disso, podemos ser hospitaleiros ao aconselhar com sabedoria. Ou até mesmo, servindo uma refeição preparada com amor ao acolher a todos que se sentarem à nossa mesa.

Edith Schaeffer morreu em 2013 e deixou um legado enorme sobre como tornar a simplicidade do dia a dia mais bela. Quando os Schaeffers decidiram abrir sua casa para ajudar jovens estudantes com suas dúvidas sobre Deus, a respeito do mundo e suas vidas pessoais, surgiu então, o que conhecemos hoje como o L’Abri Fellowship, palavra francesa traduzida por “Abrigo”. A hospitalidade continuou a ser a marca que ajuda as pessoas nas reflexões sobre a vida cristã em todos os L’Abris pelo mundo.

Assim como Edith Schaeffer, nós podemos trazer luz na simplicidade do dia a dia. Trazer beleza com a fé.  Amando, servindo e sendo um bálsamo em meio a tantos conflitos. Encaminhando a Deus aqueles que em sua caminhada cristã ainda precisam de ajuda.  Demonstrando a realidade de Deus em como viver a beleza de nossa humanidade por meio da vida de Cristo.

 “Permaneça o amor fraternal. Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos”. (Hebreus 13:1,2)

Fé e obras – vamos entender a relação delas? Falar sobre fé e obras é compreender a vivência cristã no cotidiano. Sabe por quê? Porque há sim, relação entre as duas e elas fazem parte da nossa jornada, do nosso amadurecimento e crescimento em Cristo. Qual o lugar das obras na salvação?  Há muitas dúvidas e divisões de opiniões nesse tema.

Ter fé sem obras é viver uma religiosidade que apenas ouve

Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? Tiago 2:14

Para começarmos a compreender esse texto de Tiago, é preciso perceber que esse texto em específico não está tratando primariamente sobre salvação. E que a palavra salvação descrita no versículo, no original grego é no sentido de “preservação”.  Tiago está tratando aqui de uma vida de religiosidade que apenas ouve e não pratica ou que não vive de acordo com aquilo  que  tem ouvido e crido.

Por isso, a relação de fé e obras não está atrelada a salvação nesse contexto que Tiago está escrevendo. Tanto que ele mesmo  diz isso no texto: “Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: “Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se”, sem, porém lhe dar nada, de que adianta isso”? Tiago 2:15-16.

Em outras palavras, é como se Tiago estivesse dizendo: O que vocês fazem nesse caso? Vocês o mandam embora dizendo que vão orar por ele? Não que orar seja ineficiente, então que a oração seja o início de uma atitude que vocês vão tomar após verem a necessidade alheia.  Agir de maneira desconectada, não é suficiente, entende? Mas que obras são essas que Tiago está tratando aqui? Não são as obras e ações atreladas a salvação, ou a como ganhar o favor de Deus. Mas é relacionada em como vivemos no favor de Deus, percebe a diferença?

A influência do Período da Reforma

Em  segundo, precisamos nos lembrar que esse texto começou a ficar polêmico na época da Reforma Protestante. E o principal opositor a essa epístola foi Martinho Lutero, chegando a sugerir que a retirassem do Novo Testamento. Mas não ficaremos bravos com ele. Entendendo o contexto da Reforma dá para compreender a preocupação que os reformadores tinham.

Afinal, nesse  período  eles combatiam muitas  heresias e confusões. Logo, tudo que desse a ideia de lei atrelado ao legalismo causava um tipo de repulsa neles. Pois, era como se causasse confusão na questão central da salvação ser pela graça. Isso é compreensível, certo?

Dessa forma, era necessário trazer essa libertação no entendimento das pessoas que viviam uma religião de obras,  em que  se faziam barganhas para  adquirir salvação. Não se entendia que a salvação era por meio da fé em Cristo e não pelas obras.  Lembrando que nessa época também, as pessoas não tinham acesso a bíblias como nós temos hoje. Então, as pessoas só sabiam o que era ensinado por intermediações de líderes da época.

Mas hoje, nós sabemos que a salvação é por meio da graça, que não precisamos fazer nada para “herdar” esse favor. Sabendo disso, como eu pratico fé na minha vida? Como vivemos a liberdade que Jesus ofereceu através do sacrifício no meu cotidiano?

Se retirarmos a questão da salvação e pensarmos apenas na vivência da fé, no dia a dia no favor de Deus, então podemos compreender melhor o que Tiago quis dizer. Vamos apenas trocar a ênfase do que provavelmente Tiago quis dizer, para  mudar o nosso entendimento ao ler o texto.

A fé que se move em obras de amor

Sendo assim, já temos o amor, o favor de Deus e agora, como viveremos a partir desse favor? A salvação é uma realidade, já a ganhamos, então agora como nos movemos?

As obras do amor surgem da liberdade e não para querer ganhar algo de Deus. Pela fé entendemos que somos Filhos de Deus por isso agimos em amor. Amamos o nosso próximo e  oferecemos perdão aos que nos ofendem. Tratamos os outros em graça, em amor e sem esperar  nada em troca.

Ou seja, a fé nos leva a ter ações para com o outro. Produzimos frutos de serviço, de amor e  bondade.  A fé não é morta, ela é viva e se move.  Como Tiago mesmo diz, ela se moverá na verdadeira religião: ”A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo”. Tiago 1:27.

Percebemos então que a condição para começar no pacto da graça é sempre e somente a fé na obra de Cristo. Logo, a condição de continuar na aliança é entendida como obediência aos mandamentos de Deus. Embora esta obediência não funcionasse no Antigo Testamento ou no Novo Testamento para ganhar mérito com Deus. Se nossa fé em Cristo é genuína, ela irá produzir obediência. E obediência a Cristo no Novo Testamento é considerada uma das provas necessárias de que somos verdadeiros crentes e membros da nova aliança (I Jo 2:4-6).

A fé genuína resulta em obras de obediência a Deus

Finalmente, um aspecto importante da evidência de que somos crentes genuínos está em uma vida de obediência aos mandamentos de Deus. Assim, sabemos que estamos nele: “aquele que diz estar nele deve andar como ele andou “(I Jo 2:4-6). Você não precisa de uma vida perfeita. João está dizendo que, em geral, nossa vida deve ser como Cristo e imitá-lo em tudo o que dizemos e fazemos.

Por certo, se tivermos uma genuína fé salvadora, haverá resultados claros em obediência  nas nossas vidas (ver também I João 3:9-10,24; 5:18). Um aspecto importante de obediência a Deus inclui amar outros crentes. “Quem ama seu irmão permanece na luz” (I Jo 2:10). “Nós sabemos que passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte “(I Jo 3:14,17 e 4:7).

Por fim, na comunidade de Tiago faltava comida e roupa.  E a resposta é a fé que age e que atua pelo amor. Fé e obras, que agem e não apenas ouvem. E em nossas comunidades, o que está faltando que podemos ser resposta? Uma evidência deste amor é continuar na comunhão cristã (I Jo 2:19), e outra é dar ao irmão necessitado (I Jo 3:17, cf. Mt 25:35-46).

Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta”.
Tiago 2:17.

Hoje te convido a meditarmos em Salmos 46, que nos lembra que Deus é nosso refúgio e fortaleza. Salmos são cânticos e orações dirigidos a Deus, que expressam verdades sobre Deus. E nos ajudam a nos expressarmos diante dele. Esse Salmo é um cântico dos filhos de Coré, adaptado para Alamote, ou seja, era tocado com instrumentos sopranos ou agudos. Provavelmente com a intenção de ser sempre lembrada já que suas melodias eram harmoniosas aos ouvidos.

Dessa forma, sempre que lemos na Bíblia a palavra Selá ou em algumas traduções a palavra interlúdio, isso quer nos dizer que há uma pausa.  Devido às três pausas sabemos que esse Salmo possui três versos. 

Os Atributos de Deus

“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Portanto, não temeremos, ainda que à terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza. (Selá.) “Salmos 46:1-3

Desse modo, dos versículos um a três, o salmista começa falando sobre quem Deus é para nós. E perceba, ele vai falar sobre atributos de Deus antes mesmo de descrever os problemas que nós tememos. O salmista declara que Deus é nosso refúgio e fortaleza. Ele está disponível e presente em qualquer situação. 

Aliás, o autor não está negando as dificuldades e realidade das angústias da vida. Como vemos no versículo seguinte, ele vai falar dos montes, representando os fundamentos da vida, falando que Deus é muito mais estável que os montes ou fundamentos mais estáveis da vida.

Na literatura dos hebreus, nada é mais imóvel que os montes. Veja bem a importância da compreensão dos atributos divinos. Para os israelitas que enfrentavam ameaças de exércitos estrangeiros continuamente, essa é uma declaração bem ousada.

Deus está acima das circunstâncias

Por conseguinte, ele vai falar do mar que para os hebreus, era algo temível por eles.  O mar representava o mal e  retrata os mistérios incompreendidos, na visão antiga.  Então de novo, o salmista não está negando a presença do mal, das dificuldades, mas ele está dizendo que mesmo que o mal esteja presente no mundo, Deus é a nossa segurança.  Ele usa até um extremo, veja: “ainda que à terra se mude”, para isso acontecer, catástrofes precisam acontecer, certo? Mas o salmista afirma: “não temeremos”. De fato, nossos esforços e certezas que construímos no caminhar de nossas vidas não são nada, nossa segurança está em Deus. Deus está acima de todas as circunstâncias. Deus é nosso refúgio e fortaleza.

O profeta Jeremias já havia demonstrado ser Deus quem controla até mesmo o mar, ou seja, os males mais temíveis pelos homens. Devemos temer apenas a Deus. “Acaso vocês não me temem?”, pergunta o Senhor. “Não tremem diante da minha presença? Porque fui eu que fiz da areia um limite para o mar, um decreto eterno que ele não pode ultrapassar. Ainda que as ondas se levantem, não poderão prevalecer, ainda que rujam, não poderão ultrapassá-lo.” (Jeremias 5:22).

Deus é nosso verdadeiro refúgio e fortaleza

“Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo.Deus está no meio dela; não se abalará. Deus a ajudará, já ao romper da manhã.Os gentios se embraveceram; os reinos se moveram; ele levantou a sua voz e à terra se derreteu. “Salmos 46:4-6

Os versos seguintes nos enchem de esperança. Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus. O que é essa cidade de Deus? Aqui é uma referência à amada Jerusalém dos judeus. Nesse contexto, eles estavam sob ataques. Mas Deus está no meio dela. 

Podemos dizer que há uma invasão da ordem em meio ao caos. O que é essa invasão? É a presença de Deus colocando as coisas no lugar onde elas deveriam estar. Remetendo-nos tanto ao Gênesis, mas também nos levando ao que esperamos no futuro. Uma nova criação. Perceba, Jerusalém era bem fortificada, mas o Salmista coloca sua segurança em Deus, nosso verdadeiro refúgio e fortaleza.

Deus reina absoluto por isso é nosso refúgio

Enquanto o homem semeou o caos, Deus reina absoluto e onde Ele reina há paz. O verso cinco nos mostra que ali o homem não reina.” Não será abalada”. A presença de Deus santifica tudo. Os reinos se abalam, ou seja, nós mudamos por isso há desordem e caos e consequentemente não há segurança no governo humano. Mas a morada do Altíssimo está no meio dela e não será abalada. Quando confiamos em Deus e Ele se torna nosso Senhor, não temos razão para nos abalar. O Senhor dos exércitos está conosco.

As nações se agitam e se enfurecem o que é isso? Quer dizer justamente essa falta de segurança. Mas Deus coloca a sua voz  e levanta-a  não no sentido de gritar, pois, não precisa disso. Quando Deus dá a sua voz, a terra se dissolve, pois, se dão conta que eles jamais serão deuses. Somente Deus é o Senhor, pois Ele coloca ordem ao caos. Nenhum ser humano pode trazer essa ordem. Deus é nosso refúgio justamente porque os governos do mundo não nos dão segurança nenhuma.

Quem é o único e verdadeiro Deus?

Vinde, contemplai as obras do Senhor; que desolações tem feito na terra! Ele faz cessar as guerras até ao fim da terra; quebra o arco e corta a lança; queima os carros no fogo. Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre à terra. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio. (Selá.)” Salmos 46:8-11

Por fim, os últimos versículos do último verso, o salmista vai nos convidar a vir e contemplar as obras do Senhor. Fiquem assombrados ao olhar para a história e tragam à memória aquilo que Deus fez. Venham, pois, vocês já viram que não há sentido fora de Deus. Aqui o contexto é de pós-guerra. Os destroços, corpos espalhados e ruínas ou, como diz o versículo: “que devastações fez na terra”.

Ou seja, não são nossas tentativas e  esforços que vão nos trazer segurança. Mas somente no Senhor. Aquietai-vos, Ele diz, acabem com as guerras. Parem! Vocês falharam. Aquietai-vos em hebraico significa: “prostrar-se, deixar cair”. Vocês tentaram de várias formas, mas agora admitam suas fraquezas e o caos que vocês fizeram. O salmista diz: admitam que vocês precisam de Deus. Reconheçam sua fraqueza espiritual. Vejam as catástrofes, o caos. Felizes os que reconhecem suas fraquezas espirituais

“E sabei que eu Sou Deus”. Após admitirmos nossas fraquezas, vêm o conhecimento de Deus. Ou melhor, o reconhecimento de Deus. Quem é o único e verdadeiro Deus? Precisamos reconhecer que só Ele é Deus.

A Quem pertence o poder? 

Como resultado, reconhecemos também que o poder o pertence. Ele domina sobre toda à terra.  Nossas tentativas de nos defendermos só pioram as coisas. Em resposta a nossa fraqueza pessoal, Deus nos diz para nos aquietarmos e reconhecermos que Ele é Deus. Então, elevamos o nome de Deus, porque admitimos que somos fracos e reconhecemos que Ele é Deus e assim,  exaltamos o seu nome. Deus é nosso refúgio e fortaleza.

Se vamos conversar sobre missões, precisamos entender que primeiramente a missão é de Deus, o início da missão é em Cristo. E claro, ele não depende de nós, mas Deus nos chama, nos convoca, por assim dizer, a participar e a fazer parte dessa missão.

A Bíblia é cheia de passagens onde podemos perceber que o desejo de Deus é ser conhecido e adorado em todas as nações. Veja algumas delas:

“Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos as suas maravilhas” (Sl 96.3); “Render-te-ei graças entre os povos… cantar-te-ei louvores entre as nações” (Sl 108.3); “Louvai ao Senhor vós todos os gentios, louvai todos os povos” (Sl 117.1);“Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra” (Is 49:6).

O início da Missão é em Cristo

Portanto, quando Jesus ressuscita e vem passar um tempo com seus discípulos para instruí-los acerca da continuidade de sua obra, nós o vemos comissionando eles a irem e a fazerem discípulos. O início da missão é então em Cristo. Jesus fala que toda a autoridade foi concedida a Ele, no céu e na terra. Quando alguém com autoridade transfere essa mesma autoridade à outra pessoa, é como se essa pessoa agora fosse um embaixador, um emissário, certo? Foi isso que Jesus fez aos seus discípulos, deu uma autoridade de impacto, de relevância.

Na continuidade da narrativa bíblica, os apóstolos vão agora formar essa comunidade de testemunhas que se chamará igreja. Jesus disse a eles: “E sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.” (At 1:8). Eu e você estamos nessa continuidade de Atos. E perceba que Jesus começa falando para eles serem testemunhas primeiramente em Jerusalém, ou seja, onde você está agora, os próximos a você e a nossa redondeza.

O Início da missão é em Cristo e a nossa missão?

Logo, se olharmos de forma ampla para as escrituras, presumivelmente os chamados mais destacadas sejam: amar a Deus, amar ao próximo e fazer discípulos. Então, todos nós, redimidos em Cristo temos esse chamado que partiu Dele mesmo. Nosso chamado e missão são para salvação, santidade, comunhão e missão: ”E vocês também estão entre os chamados para pertencerem a Jesus Cristo. A todos os que em Roma são amados de Deus e chamados para serem santos: A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo”. (Romanos 1:6-7).

Fomos salvos em Cristo para fazer a diferença, ser sal e luz e dentre todas as vocações que temos, a maior é glorificar a Deus.Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto, Mas que se manifestou agora, e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé; Ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém. (Romanos 16:25-27)

Chamado Específico

Ao passo que salvação e Missão fazem parte do nosso chamado, existem aqueles que terão um convite específico, uma função específica. Lembram de Abraão, de Moisés, de Samuel, de Jeremias, de Maria mãe de Jesus? Nesse sentido, esses são os chamados específicos, como Paulo e Barnabé, chamados para levarem as boas novas aos gentios. Penso que esse chamado específico tem a ver com os dons distribuídos por Cristo na igreja por meio do Espírito Santo.

Esse chamado ou função específica não são para superioridade de ninguém, ou para diferenciação, na verdade, se observarmos, aqueles que assim são chamados, são chamados primeiramente para servir. Observe como Paulo se apresenta em Romanos 1:1 “Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus”. E como bem sabemos, Deus separou Paulo para esse chamado específico, pois toda sua preparação anterior ao chamado já era obra dele. Toda a formação farisaica de Paulo foi importante para o encontro com Jesus no caminho de Damasco. O início da missão foi em Cristo mas ele nos chama a continuá-la.

A Questão Geográfica

Outro ponto importante que precisamos observar é que nossa vocação específica não tem a ver com a questão geográfica. Uma pessoa que tem vocação para ser mestre, ensinará as escrituras por onde estiver, na sua língua ou em outra, assim, da mesma forma, um pastor pastoreará aonde o Senhor o conduzir. Vocação é o que fazemos e não aonde iremos. Paulo foi chamado a levar as boas novas aos gentios, mas Deus o conduziu para a Antioquia, Chipre, Icônio, Macedônia, depois o Espírito Santo o impediu de ir a Ásia e depois o Senhor o direciona para Roma. Vocês percebem? O lugar, a questão geográfica pode mudar, conforme Deus conduzir. É claro que com isso duas coisas são necessárias para quem se sente vocacionado: discernimento e perseverança. Discernimento para saber qual é o próximo passo e perseverança para jamais desistir.

Discernimento e Perseverança

O discernimento nos ajuda também na dúvida básica que os cristãos têm: meu chamado é o chamado que todo cristão tem ou é um chamado ministerial específico? Peça a Deus discernimento justamente para entender isso. Em primeiro lugar, esse discernimento vem na Palavra, entendendo o que a Bíblia diz sobre vocação. Em segundo lugar, se há convicção desse chamado específico, é necessário você primeiro ser útil em sua igreja local. O reconhecimento vem também das pessoas próximas a você, da sua liderança, ou seja, o reconhecimento de que há um chamado, uma vocação específica é também visto pela própria igreja da qual você faz parte. Ou talvez, o próximo passo será seguir um treinamento teológico ou em um campo missionário.

E a perseverança, que é necessária, pois a vocação é como uma maratona que terá dias bons e dias maus. Será necessário manter os olhos em Cristo e perseverar como Paulo nos orienta em Efésios 4:12-13 “com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo”.

Passos Práticos

  • Comece orando e buscando a direção de Deus – ore e contribua nos projetos da igreja. As coisas do reino de Deus não funcionam pelo poder humano. Existem situações que não acontecerão, tem portas que só se abrirão quando oramos. Deus nos usa por meio de nossas orações. Deus quis assim, por uma razão misteriosa e sublime. Sim, Deus resolveu fazer a obra do seu reino por meio das nossas vidas, das nossas orações e contribuições;
  • Saia do anonimato e de uma postura de quem não tem chamado. Envolva-se nos projetos da sua igreja local, sirva e se envolva. Sirva por meio de seus dons. Charles Spurgeon disse: “nada é mais difícil do que se mostrar fiel aos de perto que bem lhe conhecem”;
  • Viaje para lugares de realidade bem diferente da sua hoje para sentir a missão no coração. Ao viajar para o interior do Piauí, para os extremos da África, talvez fará seu coração querer realmente se envolver mais intencionalmente, ou não. Ao viajar hoje, por exemplo, para a Europa, talvez você percebe a frieza nos corações e o distanciamento deles de Deus e assim queira de alguma forma, ser testemunha de Cristo em lugares onde Deus não tem mais lugar nas vidas das pessoas.

O Início da missão é em Cristo – entendendo o papel na Missão

Resumindo, o que Deus quer de fato é que entendamos o que significa a realidade dessa missão, nós existimos para afetar o mundo lá fora. A igreja existe para o mundo. Cristo deixou na terra apenas o seu corpo, a igreja e é Cristo através da igreja que faz a diferença no mundo. Todos nós somos chamados para a missão dele, somos chamados a servir o corpo. Não há categorias, então saiba, ninguém está no camarote apenas assistindo, pois todos estão envolvidos de alguma forma. Dra. Frances Popovich dizia queDeus usa tudo aquilo que aprendemos, sendo assim, precisamos aprender tudo o que for possível e nos preparar bem para que o nome de Deus seja espalhado por todas as nações.

 

*Sugestão de leitura: “Vocacionados” de Ronaldo Lidório.

Ser um discípulo cristão consciente, o que isso exatamente quer dizer? Todos nós que viemos a Cristo pela fé somos seus discípulos, pois não tem como ser um crente em Jesus e não ser seu discípulo. O que acontece é que às vezes nós podemos não ter a consciência do que implica ser um discípulo cristão autêntico. Ou até mesmo, com o passar do tempo, nós podemos estagnar, retroceder, não ser mais ativo, não amadurecer nosso chamado. Ou no extremo caso, podemos “simular” uma vida de discipulado cristão.

Afinal, somos discípulos ou fingimos ser, eis a questão. Uma coisa é “imitar” a fé, outra bem diferente é de fato vivê-la. Apesar de parecer estranho, sinto lhes dizer que infelizmente sim, é possível simular a vida cristã. Podemos simplesmente “assumir” um papel de discípulo cristão ou podemos permitir sermos transformados em uma pessoa diferente. Pois o papel de discípulo cristão verdadeiro exigirá de nós mudança de vida. Exigirá um processo de regeneração e santificação efetuado pelo Espírito Santo. Que nos fará viver uma natureza humana restaurada.

Por isso, Jesus será duro com quem simula uma vida de discípulo: “Como sepulcros caiados, bonitos por fora, mas por dentro cheios de toda imundícia” Mateus 23:28. Então, é possível ser um discípulo hipócrita ao simular a vida cristã. E ao simular, deixamos de alcançar a identidade cristã verdadeira. Como um impostor, pois não enganamos apenas aos outros, mas também porque prejudicamos a nós mesmos, sendo o próprio hipócrita.

O Chamado Do Discípulo Cristão

Desse modo, em Cristo, por meio do Espírito Santo, somos chamados a ser seus discípulos. Não para fingirmos ser algo que não somos, pelo contrário, mas para sermos o que realmente somos: novas criaturas em Cristo. Realizar e desempenhar nossa verdadeira identidade. A identidade de pessoas criadas e recriadas em Cristo é a nossa santa vocação de discípulos cristãos, essa é a nossa formação espiritual. Para isso se faz necessário conhecer a história da qual fomos inseridos. A fim de desempenhar ou realizar com consciência nosso papel de discípulos cristãos. Pois só seremos formados espiritualmente por meio da Palavra e do Espírito.

Para isso, os discípulos cristãos precisam cultivar hábitos santos. A nossa jornada de discípulos cristãos exige muito. Não é um chamado para qualquer pessoa e uma pessoa que tenta simular não aguenta por muito tempo. Renúncias fazem parte do nosso chamado de discípulos cristãos. Os discípulos cristãos foram chamados a uma vida de santidade e esse chamado requer hábitos diários sagrados. Nós devemos ficar em forma, isto é, manter-nos santos. A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou (João 4.34).

De fato, nós, como discípulos cristãos, devemos crescer em nossa nova identidade e desempenhar nosso papel em público com paixão e verdade. A Bíblia nos dá muitas instruções para que o nosso modo de viver seja de um discípulo cristão consciente, como por exemplo:

“enchei-vos do Espírito” (Efésios 5:18); “acrescentai virtude à vossa fé, e conhecimento à virtude “(II Pedro 1:15); “crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor” (II Pedro 3:18) e ainda “sereis santos, porque eu sou santo. Andai com temor” (I Pedro 1:16-17).

Esse é o papel que temos a desempenhar nesta jornada.

Sendo um Discípulo Consciente

Ao passo que o nosso chamado de discípulos cristãos é bem específico, nós nunca apontamos nosso discipulado para nós mesmos. Mas para Cristo, “a cabeça do corpo, que é a igreja” (Colossenses 1:18). Nós não caminhamos sós, mas vivemos em comunhão. A nossa jornada como discípulos cristãos é para ir além do que é comum, além do óbvio para o mundo. Somos sal e luz justamente como exposição da realidade que Cristo nos revela. É por meio de uma vida de renúncia a nós mesmos, amando a Deus acima de tudo e servindo aos outros que faremos a diferença em um mundo de trevas. Todo discípulo cristão deve acordar e tomar consciência do seu chamado para ser luz e trazer a realidade, ou seja, apontar para Cristo nesse mundo errante.

Como podemos então ser discípulos cristãos conscientes?

Trarei apenas alguns pontos iniciais para nossa reflexão:

  • Tenha uma vida privada de devoção. Isso refletirá quando você estiver em alguma reunião coletiva. Tendo uma vida de devoção privada, impedirá você de cultuar a Deus no coletivo de forma mecânica. Em seu livro sobre Oração, Timothy Keller fala de forma formidável em como a vida de oração privada e a oração pública crescem juntas. E claro, ao priorizarmos a vida interior, nós nos privamos de nos tornarmos hipócritas, ou seja, não seremos capazes de simular uma vida de discípulo;
  • Crescer em conhecimento de Deus. Desempenhar nosso papel de discípulo cristão envolve além da devoção privada, a comunhão na igreja e  a participação na adoração comunitária. Quando estamos em comunhão, celebramos a boa notícia de que Cristo nos encontrou. Quando nos reunimos com outros discípulos de Jesus, isso nos ajuda a ter consciência de nosso chamado em sermos corpo de Cristo;
  • Instrução na Bíblia por meio de pequenos grupos. Quando lemos os evangelhos, nós vemos Jesus muitas vezes ensinando para multidões, mas vemos também ele ensinando em casas, para grupos pequenos. Precisamos ter essa prática de juntos estudarmos sobre os ensinamentos Bíblicos. Além de ser saudável, nos faz crescer em convivência e relacionamentos;
  • Ter a prática de pedir ajuda a lideranças a respeito de pecados e dificuldades pessoais. A prática de confessar pecados, por exemplo, cultiva em nós virtudes que nos conduzem à verdade, como humildade, paciência e honestidade e nos livra de viver uma vida hipócrita. Confessar os pecados é confessar-se pecador.

Vivendo de maneira digna do chamado de ser discípulo

Por fim, ser um discípulo cristão consciente é ser alguém que entendeu seu papel de conhecer a Deus que é amor, participando de seu amor por outros. Ser discípulo de Cristo é ser testemunha de seus feitos. Assim como Cristo, os discípulos devem concentrar-se tanto em seu chamado, que venham a esquecer-se de si mesmos. Nós como discípulos de Jesus Cristo, não precisamos segui-lo exatamente da mesma forma. Tanto Pedro quanto João foram discípulos exemplares, mas cada um projetou a si mesmo no seu papel e assim o desempenhou de formas distintas. É o Espírito Santo que nos capacita a viver o mesmo papel de discípulos, de diferentes formas. De modo que cada um de nós acrescenta algo único e assim contribuímos para a riqueza do seu reino.

Que nós possamos viver de maneira digna desse chamado tão grandioso. Nós como discípulos cristãos conscientes, precisamos dessa clareza que tem a superioridade do que recebemos como discípulos de Cristo em relação a todas as outras coisas. Sem isso, não teremos essa consciência e não alcançaremos sucesso em nossa jornada de discípulos. Não seremos capazes de cumprir nosso chamado e nos aprofundar na vida do reino de Cristo. Um discípulo cristão consciente sabe que nada possui e por isso segue Aquele de quem tudo recebeu.

“Os discípulos foram e fizeram o que Jesus tinha ordenado”. Mateus 21:6

 

*Algumas partes foram utilizadas com base no livro: ” O Drama da Doutrina” de Kevin J. Vanhoozer.

 

Setembro amarelo. Chegamos ao mês de setembro e esse mês foi estipulado para prevenirmos e darmos uma maior atenção aos casos de suicídios que crescem a cada ano. É claro que isso não é apenas para tomar nossa atenção em um mês. Isso é sério e merece nossa atenção no nosso cotidiano. Quantos de nós conhecemos pessoas que estão dando sinais de querer desistir de suas vidas? Principalmente nesse ano de 2020 onde muitas pessoas perderam seus empregos, suas perspectivas e objetivos traçados. Suicídio é algo sério, precisamos estar atentos.

Segundo o site criado para falar sobre o tema setembro amarelo, cerca de 95% dos casos de suicídio ocorreram por motivos de depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias, ou seja, problemas de transtornos mentais. Nossa mente pode ser tão terrível a ponto de nos fazer desistir de viver. Será que era por isso que Paulo fala sobre o renovar de nosso mente?Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Romanos 12.1-2

O fato é, em nosso dia a dia somos bombardeados de notícias ruins, falsas notícias inclusive, inúmeras mentiras entram em nossos ouvidos e mentes. Fora as nossas lutas e dificuldades que precisamos lidar diariamente e os muitos casos de abusos enfrentados. Como não sucumbir a tudo isso? Pois nossa mente está suscetível a esses ruídos diários, às muitas vozes que invadem nossos pensamentos e alcançam nossos desejos, medos e anseios. 

O processo do Espírito Santo em nós

A teologia reformada vai nos ajudar a entender sobre essas mudanças em nossa mente. Na queda da humanidade, onde os efeitos noéticos do pecado nos deixaram em um estado de prisão moral. A palavra noético, tem sua origem no grego nous, que é normalmente traduzido como “mente”. Logo, os efeitos noéticos são os efeitos da nossa mente, que são caídos, nossa própria capacidade de pensar foi gravemente enfraquecida pela queda humana. Toda nossa vontade humana está agora cativa aos desejos e impulsos maus do nosso coração. Dito isso, apenas para que possamos entender que não é por causa disso que agora não temos mais a capacidade de pensar corretamente. 

É claro que enquanto o pecado estiver em nós, nosso pensar não será perfeito. Mas o Espírito Santo está agora mesmo nos levando nessa jornada de amadurecimento e aperfeiçoamento espiritual, que culminará no retorno de Cristo, onde o Espírito Santo entregará uma igreja pura, santa e sem mácula. Nossa consumação final.

Aqui em nosso blog, temos feito uma série de escritos sobre o fruto do Espírito. Esse fruto, Paulo vai descrever em Gálatas 5, como sendo nove qualidades que são produzidas em nós por meio dessa ação que o Espírito Santo está operando naqueles que são guiados por Ele. Mas o quê tudo isso tem a ver com o setembro amarelo? Como conseguimos ajudar alguém, ou quem sabe, como eu consigo ajuda com esses problemas causados em minha mente?

Os mandamentos nos ajudam nessa jornada

 Jesus ao ser interrogado por um mestre da lei sobre a importância dos dez mandamentos, responde o seguinte: ”Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças’. O segundo é este: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Não existe mandamento maior do que estes“. Marcos 12:30-31. Ao cumprir os dois mandamentos, seremos rigorosos em nossas tentativas de treinar nossas mentes. Amando o Senhor com todo nosso coração, nossa alma e nossa força, mas também com toda nossa mente.

E quanto ao segundo mandamento? Ame o próximo, em outro momento Jesus foi questionado: Quem é o meu próximo? ( Lucas 10:29). E Jesus vai lhes contar a parábola do Bom Samaritano. Logo, seja você o bom samaritano, seja você o próximo de quem precisa de ajuda. E se voltarmos para o fruto do Espírito de Gálatas 5:22, vemos que ao praticarmos amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade e  mansidão, precisamos do próximo. Pois como praticá-los sozinho? Mesmo o domínio próprio é algo que preciso da ajuda do Espírito Santo. Essas qualidades, esse fruto não é produzido por nós mesmos, mas é obra do Espírito.

Recebendo e dando ajuda

Ora, mas onde isso nos leva, afinal de contas? Eu quis relacionar tudo isso para termos em mente duas coisas: se no caso de, você e eu estivermos passando por isso, ou se somos nós que vamos ajudar alguém perto de nós. Porque sim, depressão, transtorno bipolar e vícios são doenças e nenhum, isso mesmo, nenhum de nós está livre disso. Mesmo os cristãos passam por essas doenças. Eu e você temos agora mesmo nomes vindos em nossa mente, ou se não, nós mesmos já passamos por isso.

Mas se isso for algo que está enfrentando, te digo: procure ajuda agora mesmo. Como já mencionado, tentativa de suicídio por quaisquer motivo é sim, indícios de alguma doença séria por trás. Deus não nos criou para vivermos sós, precisamos de pessoas, precisamos nos relacionar, precisamos encontrar com quem dividir nossos fardos, sejam familiares, amigos, liderança, nossa comunidade de irmãos.

E se estamos identificando sinais de depressão, ou alguma atitude de afastamento por parte de alguém próximo a nós, precisamos ser o bom samaritano na vida dessa pessoa. Estar perto, amar essa pessoa, servir no que for necessário. Seja levando a um médico ou, sendo útil em quê precisar.

Fortalecendo nossa fé

Por muito tempo nós cristãos tratamos a depressão como pecado ou algo de errado na vida da pessoa que estava passando por isso. Agora precisamos entender que, como qualquer outra doença, todos estão sujeito a passar por isso. E sim, precisamos de tratamento médico, precisamos ajudar quem está passando por isso a identificar o que causou essa depressão. Não os deixando só, mas trazendo para perto, ajudando em sua fé, levando-o a participar dos cultos, das nossas reuniões em grupos, de nossos momentos de comunhão. E entender, que é por um período e que vai passar. Que esse mês do setembro amarelo traga consciência em nós da gravidade que são essas doenças.

Portanto, que possamos crescer no fruto do Espírito, que possamos crescer em amar a Deus com toda nossa força e mente, que possamos crescer em amar nosso próximo, servindo e trilhando essa jornada em comunhão. Como servos de Cristo, somos levamos por sua graça a restaurar ruínas desse mundo caído. Somos o povo da esperança, estamos anunciando a esse mundo um novo reino, o reino de Deus, por isso precisamos de uma nova mentalidade. E essa nova mentalidade, essa nova vida com Deus, nos salva de um modo de vida pessoal e nos leva a um fim corporativo.

Setembro Amarelo – Oração

Minha oração por você que está passando por isso é que Deus coloque as pessoas certas para te ajudar a identificar o motivo, a causa dessa depressão, sejam amigos, familiares ou se preciso for, até médicos capacitados a identificar o quê seu corpo está precisando nesse momento. Sabemos que vários fatores podem levar alguém a uma depressão, até mesmo falta de hormônios e vitaminas podem gerar uma depressão.

Então, que o Senhor te conduza nesse tempo e que você seja alicerçado na Palavra de Deus, ela é a verdade e o fundamento que te ajudarão quando maus pensamentos vierem. E entenda, isso é passageiro, pode demorar até o tratamento fazer efeito, mas é passageiro, esse período não te define.


“Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.” Colossenses 3.16

Deus é soberano sobre todas as coisas? Ele está no controle?  Tudo está mudando, certo? Vivemos tempos muito diferentes. Mas, às vezes, acho que precisamos continuar trazendo à nossa memória os feitos de Deus na história para não duvidarmos de que Ele é sim o Senhor da história e Ele não está à parte do que está acontecendo. Acho necessário iniciarmos esse assunto, nos lembrando então, dos feitos de Deus na história. Deus governa sobre o universo, Ele o criou e é o sustentador de tudo, inclusive de nossa existência. Dizer isso não é pouca coisa, percebe?

A soberania de Deus no Universo e na história humana

A soberania de Deus fala de como Ele age no universo para que tudo e todos cumpram o seu plano divino. Tanto a natureza obedece o seu poder (I Reis 17-18) quanto envolve a história da humanidade e o destino de todas as nações. Nos Salmos podemos ler frequentemente louvor e exaltação por seu poder na natureza: “Pois sei que o Senhor é grande e que o nosso Senhor está acima de todos os deuses. O Senhor faz tudo o que deseja, no céu e na terra, nos mares e em todos os abismos. Faz subir as nuvens das extremidades da terra; faz relâmpagos para a chuva; tira os ventos dos seus reservatórios” Salmos 135:5-7. Em Salmos 104 podemos ver um exemplo de Deus guiando e dirigindo a criação animal. Vemos ali descrições deles fazendo a vontade de Deus e dependendo dele para sua provisão.

Por conseguinte, seu governo é também na história humana e no destino das nações. Um exemplo está em Daniel 2:21: “Ele muda os tempos e as estações; remove e estabelece reis”. Vemos Deus conduzindo a história de Israel, usando a Assíria para atingir seus propósitos nessa nação e então também levando a Assíria à destruição: “Fiz isso com a força da minha mão e com a minha sabedoria..” (Isaías 10:13). E podemos nos lembrar do discurso de Paulo aos gregos, onde ele descreve sobre Deus (Atos 17:26). Mas também seu governo soberano é visto em situações individuais. Podemos citar Davi como um exemplo de alguém que encontrou conforto em um Deus soberano sobre sua vida (Salmos 31:14-15). Podemos ver a ação divina até mesmo nas ações acidentais da vida, como lemos em Provérbios 16:33: “A sorte se lança no colo, mas o Senhor procede toda decisão”.

Oração e Soberania Divina

Oração e soberania divina se contradizem? Muitos podem dizer, e me perdoem a sinceridade, mas de forma muito errônea, que se Deus em sua soberania irá conduzir tudo, já determinou tudo, então não precisamos pedir em forma de oração. Isso vai contra o que a Bíblia nos ordena, sobre orar sem cessar, continuar pedindo e  buscando (Lucas 11:9-10). Em Tiago capítulo 5, somos encorajados a orar, por meio do que Tiago conclui  nessa passagem: a oração pode produzir resultados maravilhosos. Ele cita o exemplo de Elias, ”um homem como nós” (Tiago 5:17), que através da oração afastou a chuva de Israel e depois pediu que ela retornasse. É claro que Deus estava no controle de tudo, seu plano é sábio e infalível, assim Tiago conclui que as orações são eficazes. Por isso eu gosto da citação de Timothy Keller:

 “não haveria qualquer possibilidade de que nossas orações disputassem com Deus o controle sobre qualquer parte do Universo e o tirasse de suas mãos. No entanto, faz parte da bondade e do desígnio de Deus permitir que o mundo seja suscetível as nossas orações”.

Fato é que nossas orações não irão frustrar os bons planos de Deus, mas nossas orações importam – “não temos porque não pedimos” -. Nem sempre seremos respondidos, mas Deus nos dará o que é melhor e o que está nos seus propósitos, como diz em Salmos 84:11: “não negará bem algum aos que andam com retidão”. Deus é soberano sobre todas as coisas e nossas orações são ouvidas por Ele.

A soberania de Deus nos leva à rendição

Devemos reconhecer a Deus, exaltar a Ele, nos submeter a Ele. O fim das nossas crises e ansiedades devem nos levar a nos dobrarmos diante dele. Nós somos sim seres limitados e Ele é infinito, nós somos suas criaturas e Ele nosso Criador. Se tudo foi criado a partir dele, porque ainda passa em nosso pensamento que Ele perdeu o controle? Deus é soberano sobre todas as coisas e isso nos leva a crescer em fé e confiança nele. Estar nele é existir de fato e não tentar apenas sobreviver. A graça de Deus em nos enviar seu Filho é motivo para nos levar à rendição total de nossas vidas. Graças a isso, nós não precisamos salvar a nós mesmos.

Por fim, quando crises vierem até nós, quando o mal de alguma forma chegar até nós, que os nossos olhos estejam fixados no Senhor, que possamos descansar em sua bondade, na sua sombra, como o Salmista diz: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Todo Poderoso, descansará” Salmos 91:1. Sim, o reconhecimento da soberania de Deus nos leva à rendição total ao Seu Senhorio, a sua sombra é lugar de descanso. Descansaremos no caráter de Deus sabendo que Ele está escrevendo e finalizando essa história. Que o Senhor nos guarde da prepotência de tentarmos ser autores de nossas histórias, pois o final que o Senhor tem para nós, com o seu senso de telos (propósito) é o melhor para nós. Nos rendemos a ti Deus, seja Senhor de nossas vidas.

Livro citado: Oração, experimentando intimidade com Deus. Timothy Keller

Estamos vivendo dias atípicos para nossa geração, isso é fato. Mas, que tal usar dessa experiência para mudar hábitos e rotinas em nossas vidas? Esse momento de distanciamento social que estamos vivendo pode ser de reflexão sobre como usávamos nosso tempo antes. Você conseguiu perceber como está sua vida espiritual? Como está sua vida de devoção a Deus?

Quando buscamos o significado da palavra devoção, vemos que fala sobre um zelo, uma liturgia em práticas espirituais. Logo, se trata de atos que fazemos diariamente. Como todas as áreas de nossas vidas, para um progresso, um crescimento, é necessário tempo, é necessário também passarmos por estágios, e sim, é necessário passarmos por instabilidades. Mas, nós avançamos, pois somos seres de hábitos e são esses hábitos praticados diariamente que nos formam, mesmo que nem estejamos cientes disso.

Semelhantemente acontece com as práticas, ou disciplinas para nossa vida espiritual. Pois essas práticas, essa devoção, nos moldam para sermos mais semelhantes a Jesus. Através das disciplinas espirituais, nos tornamos capazes de abençoar aqueles que nos amaldiçoam, conseguimos orar sem cessar, ficamos em paz quando fazemos alguma boa ação que não é reconhecida e também podemos vencer os males que surgem em nossos caminhos. Isso porque essas disciplinas nos preparam interiormente para uma crescente interação no nosso relacionamento com Deus.

A importância da Devoção

Nesse sentido, qual a importância então, em ter uma vida de devoção? Bom, a começar, somos discípulos de Jesus e como discípulos, seguimos os exemplos dEle. E como Jesus demonstrou em vida, Ele tinha um relacionamento com Deus. Logo, como discípulos, somos levados a uma vida de devoção. A oração é uma das principais práticas para nos relacionarmos com Deus e que nos ajuda a servir nosso próximo, nossa comunidade local… Saiba, uma vida de devoção vai gerar discípulos que produzem para o reino de Deus a partir das suas igrejas locais.

Dessa forma, a nossa devoção vai produzir não apenas uma ordem em nossas vidas, mas vai gerar em nós um coração de discípulos que servem. É importante para nós, quando estivermos em oração, nos concentrarmos apenas nesse momento. Por isso, com um simples ato de desligar os aparelhos eletrônicos, por exemplo, onde nada nos tire a beleza de ter um tempo em conversa com Deus, já faz uma grande diferença. Nós já sabemos que a oração não muda a Deus, mas ela nos muda, então precisamos desse momento, certo?

Por conseguinte, e a comunhão da mesa? Vemos muitos exemplos na Bíblia em que se valorizava se sentar ao redor da mesa e ter comunhão. São gestos simples, que não requerem muito de nós, mas que nos moldam, nos instruem. Sabemos que abandonar velhos hábitos são difíceis, mas a decisão de deixar certas coisas habitarem ou não em nosso pensamento é a liberdade que nos é assegurada em Cristo Jesus. 

Dicas práticas para viver em Devoção

Vamos pensar em simples hábitos que nos ajudarão a colocar as práticas espirituais em nosso dia a dia:

  1. Ore ao levantar e ao se deitar; talvez aqui neste ponto você vai ter que acordar uns minutos mais cedo.  Ao acordar e colocar seu dia diante de Deus, peça ajuda para que você consiga fazer suas atividades com mais eficiência. E ao orar antes de dormir, agradeça a Deus e entregue tudo o que aconteceu no dia diante dEle. Isso tirará de você a ansiedade sobre seu dia e o desapontamento sobre o que não conseguiu fazer;
  2. Desligue sua televisão e seu celular a noite ou pelo menos a internet dele. Esse ponto está conectado com o ponto acima. Estipule um horário fixo antes de dormir para desligar a internet do seu celular ou mesmo desligar seu celular. Isso te ajudará a não ver coisas desnecessárias e ajudará a se conectar em oração com Deus. Dará tempo para você conversar com sua família, filhos, cônjuges ou mesmo para que você tenha um tempo sem estímulos visuais antes de dormir;
  3. Almoce sempre com alguém – talvez agora enquanto estamos em casa, se você está com sua família, valorize esse momento. Desligue a televisão e não traga seu celular para a mesa. Caso você esteja sozinho agora, pense sobre isso para quando voltarmos as nossas rotinas,  fora de nossas casas. Esse momento pode ser oportunidades de conhecer nossos colegas de trabalho, nos conectarmos com pessoas e até ter a oportunidade de falar sobre nossa fé e ajudar quem está perto de nós. Ou até mesmo em família, fortalecer os laços familiares.

 Com certeza podíamos dar mais exemplos, mas note como apenas esses três simples pontos já são algo que talvez, não conseguimos ainda realizá-los. 

Uma Vida de Devoção para a Glória de Deus

Observe: somos naturalmente muito impacientes, gostaríamos de pular diversas vezes as etapas da nossa jornada. Mas o que eu posso te dizer é: confie no lento trabalho de nosso Deus. Confie que Ele está realizando a boa obra em você e se permita viver isso. No tumulto de nossas vidas, talvez nós não vamos conseguir falar a verdade sempre. Mas com a ajuda das disciplinas, porém, podemos nos obrigar a procurar aqueles a quem mentimos e confessarmos o que fizemos, por exemplo. Isso nos ajudará a falar a verdade em outras ocasiões. 

Precisamos encontrar uma forma de nos submetermos a Deus, quer seja nas atitudes transformadoras da solitude, do silêncio, do jejum, do estudo ou do sacrifício. Seja qual for a disciplina que nos for requerida para nos libertar, devemos executá-las.

 Lembre-se sempre, temos a nova vida de Cristo para vivê-la e precisamos ser dignos dela. Para isso, vamos deixar o Espírito Santo realizar a sua obra em nós, o processo de redenção. Romanos 6.17,18: “Graças a Deus, porque, embora vocês tenham sido escravos do pecado, passaram a obedecer de coração à forma de ensino que lhes foi transmitida. Vocês foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justiça.”

Por fim, quero te encorajar a se dedicar a uma vida de devoção, a uma vida de oração e a ser um membro ativo em sua igreja local, pois você só tem a ganhar. A prática da devoção é um alimento para nossas vidas; quando oramos, quando lemos a palavra, quando participamos da nossa igreja local, estamos recebendo esse alimento espiritual que nutre nossa fé e comunhão com Deus. 

Que o Senhor nos ajude a viver uma vida para Sua glória e nos ensine a orar para a glória do Seu Nome.

“A busca e a própria experiência da comunhão com Deus, inclui a expressão dessa convivência a partir de práticas que agradam ao Criador.” Russel Shedd.

 

Amém!

 

Hoje não é uma sexta-feira qualquer. De hoje até domingo, são dias em que para nós, cristãos, têm um peso central para nossa fé. A Cruz e a ressurreição são dois eventos centrais pelos quais baseamos nossa Esperança e que compreendem os mistérios no coração da fé cristã. Neste dia, Cristo se tornou o “Cordeiro Pascal” da nossa salvação. A sexta-feira santa nos lembra a escuridão experimentada por Cristo em nosso favor.

Agora pense comigo, se para o nosso tempo ainda é loucura pensar sobre a morte de Jesus Cristo, imagina naquela época. Ele era a esperança dos judeus que Nele acreditaram. Um rei tão aguardado. Mas, o que se espera de um rei? Que ele os liberte dos tiranos romanos, que esse rei seja justo, que traga uma saída, uma salvação. Não se espera que ele seja julgado e condenado. Qual a acusação sobre Jesus? De que Ele era Filho de Deus. (João 19:7) Blasfêmia! Gritavam os fariseus. Talvez para nós, ocidentais, isso não traga a seriedade e o peso ao pensarmos nessa acusação. Fato é que, isso fez com Jesus fosse condenado ao nível mais baixo de crime. A crucificação era uma penalidade tão extrema que chegava a ser dito que quem fosse crucificado, era maldito. Tanto que o lugar da crucificação era afastado da cidade, pois era impuro.

Ele, que era a vida, como está descrito em João 14:6: “o doador da vida, sujeitou-se à morte”. Ele, que não havia cometido pecado algum, sofreu a consequência ou o “salário” do pecado. Ao vir habitar entre nós, se tornando humano, Jesus se tornou mortal. E Ele não só sofreu a morte, como experimentou uma morte humilhante. Veja, escreveram em sua cruz: “Este é o Rei dos Judeus”.

A mensagem da Cruz nos ofende

Igualmente, Jesus teve que suportar os deboches e as zombarias ao ser questionado pelas autoridades: “Salvou os outros, então salve a si mesmo, se é o Cristo, o escolhido de Deus” ( Lucas 23:35). Mas, veja como é difícil entender, Jesus não estava ali para salvar a si mesmo, mas para cumprir seu propósito e salvar os seus. Para nossa Salvação, era necessária uma intervenção externa, um resgate. E para isso Jesus que estava ali, como resgatador. O homem não tem condição de se salvar, então nós fomos resgatados por meio do sacrifício de Jesus. Sim, a mensagem Cruz é loucura, porque em um mundo egocêntrico é difícil aceitar esse caminho de pensar no próximo, como Jesus fez.

A mensagem da Cruz é escândalo

Temos dificuldade com a Cruz por conta disso. Somos individualistas. A Cruz é um escândalo, é a identificação de Deus com o sofrimento. Agora, perceba como isso não é para qualquer divindade. Veja, como homem, Ele veio de maneira simples, em uma manjedoura e foi sepultado em um túmulo emprestado. O que aprendemos com isso? Ele viveu entre nós, inaugurou o reino de Deus na terra, mas como Ele viveu enquanto esteve aqui? Viveu de maneira simples, “Ele veio para servir e não para ser servido” ( Mateus 20:28). Por isso, a mensagem da Cruz não é atrativa. Queremos um Rei que demonstre força e esmague seus inimigos. Mas, aqui está o rei de Israel, o rei do mundo, um rei crucificado.

Admita, o que nós cremos é um escândalo e um absurdo. Talvez, as expectativas dos discípulos e até às nossas não foram superadas por Jesus. Mas, que possamos aprender com Ele, a cumprir a vontade do Pai e agradar somente a Ele. Jesus estava cumprindo um plano muito maior e mais elevado do que todos podiam perceber.

“Deram-lhe uma sepultura com os ímpios, e ficou com o rico na sua morte, embora nunca tivesse cometido injustiça, nem houvesse engano em sua boca”. (Isaías 53:9)

Aguardamos a Bendita Esperança que virá em Glória

Por certo, precisamos aprender com Jesus. Sua primeira vinda não foi em glória, mas foi em graça. Veja esse versículo: ” Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens e ensinando-nos para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos neste mundo de maneira sóbria, justa e piedosa, aguardando a bendita esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador, Cristo Jesus…” Tito 2: 11-13

Portanto, vemos que por meio da primeira vinda de Jesus, foi manifestada a graça, trazendo salvação. Aqui nós, gentios, entramos na história. A salvação nos alcançou também. Mas essa vinda de Jesus não foi reconhecida pelos judeus. Eles esperavam que Jesus os salvassem da tirania do Império Romano, mas Jesus tinha um propósito muito maior.

Certamente a morte de Jesus trouxe reconciliação, pôs fim à inimizade e à alienação que separava Deus do seu povo e o Judeu do Gentil. Trouxe perdão, redenção e a reconciliação, não apenas aos homens, mas com toda criação. A mensagem Cruz trouxe uma transformação de realidade e de vida. Aquele de quem os profetas na antiguidade tanto anunciaram e Aquele que fluirá toda a história subsequente. Mas veja, o versículo citado acima continua, a segunda vinda de Jesus Cristo, a nossa Bendita Esperança, virá em glória. Sim, seu retorno será em glória. Ele morreu, mas a sua morte foi só o começo, a ressurreição o aguardava.

Nossa Esperança é Viva

Por fim, nós cremos na sua morte e ressurreição. Sabemos que nosso caminho não será fácil, pois a Cruz é o nosso caminho e não existem atalhos. Somos exilados, aguardando o novo céu e a nova terra com Jesus conosco.

Nós não tínhamos condições de nos salvar, mas Cristo nos resgatou. Que privilégio nós temos. Somos tão gratos a Deus pois, esse final de semana não acaba em luto, Jesus ressuscitou, e a nossa Esperança é viva. Graças à ressurreição podemos contemplar o sofrimento de Cristo sem ser algo em vão, pois mesmo que o sofrimento faça parte da nossa existência, não é a palavra final. 

Nosso exílio terá fim e esse fim é por causa da obra da Cruz, onde o exílio termina, a esperança retorna. Com Jesus, a esperança futura é antecipada para o presente. Estamos unidos com ele na Cruz e unidos estaremos na ressurreição. Obrigada Deus, pois nossas vidas só são possíveis pelo seu sangue. A verdadeira Páscoa é a Salvação de nossas vidas conquistadas na cruz de Cristo.

“Contudo , foi da Vontade do senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer; apesar de ter sido dado como oferta pelo pecado, ele verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos.. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma e ficará satisfeito; com o seu conhecimento, o meu servo justo justificará a muitos e levará sobre si as maldades deles”. Isaías 53:10-11

Ansiamos por Beleza, ela nos atrai. Nossos olhos gostam de ver beleza. Pense comigo a respeito disso. Quem não gosta de belas paisagens? Após um longo dia, após várias horas preso em um trânsito terrível, ao som de buzinas, ou mesmo após longos dias exaustivos de rotina em um hospital, você almeja por dias de descanso. Se for a um lugar conforme seu gosto, com belas paisagens, pessoas queridas por perto, melhor ainda.

Ansiamos por beleza. A beleza nos atrai, chama nossa atenção. Pense na sensação de chegar a um lugar bonito, um lugar de belas montanhas, uma praia tranquila ou, quem sabe, um belo jardim ao som de pássaros. Ou ainda quando contemplamos uma belíssima obra de arte, ouvimos uma boa música. Parece que nossa alma se expande, conseguimos respirar novamente de forma intensa, podemos descansar. Nós queremos que momentos assim durem pra sempre, queremos sentí-los todos os dias.

 Quando a idolatria dá lugar à beleza

 Ah, mas não estamos rodeados apenas por beleza. De fato, há muita feiura agora ao nosso redor. Sabemos que essa feiura é efeito do pecado agora existente, do mal que nos cerca. Após a Queda, longe do Éden, vivemos assim, nossas vidas agora estão cheias de ervas daninhas e espinhos, não temos garantia de sucesso, cada dia parece um grande teste e vivemos com esse anseio ardendo em nós. Fomos criados para viver em mundo de harmonia, mas agora estamos no caos.

Mas esse mal, essa feiura que rouba de nós o viver beleza, não consiste pelo fato de ter sido criado mas na idolatria rebelde praticada por nós seres humanos, ao darmos adoração e honra as coisas criadas e não ao Deus Criador. Abandonar a adoração a Deus, praticando idolatria ao que é transitório, causa essa reação em cadeia, com conseqüências incalculáveis, como vemos. Perdemos-nos ao buscarmos prazeres em curto prazo e por isso essa desordem. A beleza está distorcida, pois veja, a criação é boa, mas ela não é Deus.

Veja que até o que é belo se perdeu, beleza e verdade agora se opõe. O pecado desestrutura, cria caos, desorganiza. Agora não há o equilíbrio, ou idolatram a criação ou a odeiam. Muitos cristãos tem a certeza que esse mundo irá se acabar e assim desprezam a criação de Deus. Outros fazem dela seus deuses. Percebe a confusão causada, onde tudo é relativo? Tudo agora é superficial e a beleza passa rapidamente. Mas o nosso coração ainda anseia por beleza, como pode?

 Alinhando nosso anseio por beleza

 Nós jamais teremos completa paz, ou real segurança, ou teremos nossos anseios supridos se continuarmos a olhar esse mundo sem a visão bíblica sobre ele. Deus não nos criou e criou esse mundo e nos deixou a mercê dos acontecimentos. Não! Ele está ativo, envolvido em cada processo. Jesus disse que Ele restaurará TODAS as coisas e já podemos, como mordomos dele, contribuir para isso. Precisamos urgentemente conhecer sua palavra e nos familiarizarmos com o plano de Deus descrito nas escrituras. Ele está restaurando inclusive nosso anseio por beleza, nos preparando para voltar a viver em harmonia, a verdadeira Shalom que é o nosso real relacionamento com Deus, com os outros e com a criação.

Primeiro vamos reconhecer beleza de verdade. Todos nós somos imagem e semelhança de Deus, logo, todos os seres humanos possuem valor e dignidade. Precisamos identificar a beleza de Deus escondida nos rostos, quem sabe em rostos sofridos de homens e mulheres ao nosso redor. Mudando nossa maneira de enxergar, pela ótica cristã, nós renovaremos nossas mentes e em verdade veremos a beleza que nos liberta

Mas então, como esse anseio em nós será finalmente satisfeito? Pois, quando lemos finais de grandes histórias, quando contemplamos um lindo pôr do sol, quando vamos até o mar e ouvimos o seu som, ansiamos que isso perdure. A beleza é tão profunda, ela transcende. Ela faz-nos lembrar de um Éden que nunca conhecemos, mas que sabemos que fomos criados para ele. A beleza nos atrai à eternidade, nos remete a um lugar de harmonia. A beleza nos diz: existe uma fonte de glória que está nos chamando. Sim, a beleza nos atrai a Deus. Ansiamos por beleza. Por isso, precisamos alinhá-la com o olhar cristão.

 Até o Dia em que Nosso Anseio por Beleza Será Suprido

 Deus não nos abandonou e nem abandonou sua criação, mas Ele está nos redimindo e nos renovando, assim como toda a criação. O mundo inteiro aguarda ansiosamente pela fonte de beleza que encherá a terra com a glória de Deus. Ansiamos pelo dia em que se cumprirá o que Jesus orou: “Venha a nós o teu reino”, onde em Cristo será convergido céu e terra. É essa beleza que encherá nossos olhos no momento que tanto ansiamos e aguardamos, tendo a cruz como meio pelo qual a boa criação se reconcilia com seu criador.

Nós, cristãos, temos um caminho adiante para amar a Deus com toda nossa alma encontrando o equilíbrio em viver com a criação. Até o dia em que seremos completamente capturados pela verdadeira beleza. Ficaremos como João, sem palavras suficientes para descrever a beleza do que ele estava vendo em sua visão. João tenta descrever o que ele estava vendo: “Aquele que estava assentado era de aspecto semelhante a jaspe e sardônio. Um arco-íris, parecendo uma esmeralda, circundava o trono… E diante do trono havia algo parecido com um mar de vidro, claro como cristal”. Apocalipse 4:3, 6 

Você e eu viveremos isso, até lá faremos da oração de Davi nossa oração: “Uma coisa pedi ao SENHOR; é o que procuro: que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida para contemplar a beleza do SENHOR e meditar no seu templo” Salmo 27:4