Esse mês traremos histórias de mulheres para nos encorajar ainda mais em nossa jornada. Se você gosta de ler temas relacionados à teologia, com certeza já ouviu falar de Francis Schaeffer. Hoje conheceremos um pouco sobre sua esposa, Edith Schaeffer. Ela escreveu apenas dois livros a menos que seu esposo, somando 20 livros. Dois de seus livros publicados ganharam o Prêmio Medalhão de Ouro da Associação de Editoras Cristãs Evangélicas. O fato de não termos conhecimento de todos esses seus livros se dá por conta de apenas poucos deles terem sido traduzidos para o português.

Edith Seville nasceu na China em uma cidade chamada Wenzhou, seus pais eram missionários em serviço no interior desse país. Depois eles vieram para os EUA onde ela cresceu. Edith morou na Pensilvânia onde também conheceu seu esposo Francis Schaeffer e frequentou o Beaver College.

Um pouco da história de Edith Schaeffer

A saber, a maneira como Edith conheceu seu esposo Francis Schaeffer é peculiar. Durante um período de férias de seus estudos acadêmicos, Francis Schaeffer vem visitar sua família na Pensilvânia, e ele vai para a antiga igreja que  frequentava. Nesse dia a igreja realizaria uma palestra para jovens, em que o palestrante, um ex membro da igreja, chamado Ed Bloom, vai palestrar sobre: “Como eu sei que Jesus não é filho de Deus e como eu sei que a Bíblia não é a palavra de Deus”. Perceba o nível do desafio para Edith e um jovem seminarista como Francis, se deparar em uma palestra com esse tema. Claramente a igreja tinha se tornado  liberal.

Assim, o registro que temos desse episódio vem dela. Edith diz que sentiu muito desconforto com o que estava acontecendo ali. Temos o registro dos dois fazendo uma defesa da fé ortodoxa. Cada um com seus argumentos, Edith é mais articulada para falar, ela apresentará argumentos de professores do Westminster Theological Seminary que eram amigos de seu pai. Nesse episódio ambos ficam admirados um com o outro. Após esse dia  eles começam um relacionamento por meio de cartas até que Schaeffer terminasse seus estudos e voltasse a morar na sua antiga cidade. Três anos depois da situação da palestra, eles se casam.

Pelo fato de Edith ter sido criada em um contexto missionário, ela estava acostumada a fazer do simples algo marcante. O casamento deles não foi nada glamoroso. Já na lua de mel, em uma cabana, eles precisaram primeiro fazer uma faxina nela antes de sua lua de mel. Edith costurava ternos masculinos e vestidos de mão-cheia para que seu esposo pudesse continuar seus estudos. Em seu livro “A celebração do Matrimônio” você pode ler e conhecer mais sobre essas histórias.

A Simplicidade que transforma                 

Certamente você pode ler coisas fantásticas sobre a história de Edith. Mas uma das coisas que eu gosto a respeito da história dela, é o quanto ela acreditava na criatividade que existe em cada um de nós. Desde pinturas, escritas, jardinagem e decoração, nada era considerado simples ou irrelevante ao seu olhar. Não é inspirador pensar assim?

Das muitas histórias que você pode ler sobre ela, você verá que a sua marca é hospitalidade. As pessoas que frequentavam a casa dos Schaeffers se sentiam como parte da família. Ela fazia coisas simples, como uma decoração de mesa, se tornar uma experiência para quem os visitava. Era a simplicidade que transformava a vida de quem os visitava.

Mesmo que ela não tivesse escrito seus livros, ainda assim teríamos relatos e testemunhos de pessoas que foram abençoadas pela forma de servir de Edith. Essa frase pode nos indicar um pouco de como era a fama dela “Os pãezinhos de canela da Sra. Schaeffer levou tantas pessoas a Cristo quanto os sermões do Sr. Schaeffer”. Ainda assim, seus livros escritos são de riquíssimo conteúdo familiar e devoção.

Aprendendo sobre hospitalidade com Edith Schaeffer

Em resumo, poderíamos falar de muitas outras histórias tanto de Edith quanto do casal. Mas sem dúvidas, hospitalidade é algo que podemos aprender no exemplo dela. A princípio, podemos entender que com o pouco que temos hoje já é possível marcar a vida de pessoas à nossa volta. Veja bem, cordialidade é algo acessível a todos. Nós mulheres temos o dom de acolher, devemos colocar isso em prática.

Por certo, o ato de se doar é uma característica dada para nós, mulheres,  já parou para pensar que quando nasce um filho, a mulher se doa por muitos anos em prol dessa vida? Abrir mão de seu conforto, de seu sono e muitas mulheres se doam a ponto de darem uma pausa em suas carreiras por suas famílias.

Para exemplificar, esses dias, uma pessoa muito querida me surpreendeu. Ela é uma excelente dentista, dessas que vivia com a agenda cheia, era difícil marcar horário com ela. Lembro-me de sua tristeza em não conseguir engravidar. E em uma de nossas consultas com ela, eu e minha mãe oramos e choramos naquele consultório pedindo a graça de Deus para que ela engravidasse. Pouco tempo depois ela engravidou e hoje já está com seu filho de quase dois anos.

Aliás, sabe aonde ela me surpreendeu? Quando ela declarou em suas redes sociais uma “Nota de Despedida”. Nessa nota ela declarou estar fazendo uma pausa em sua carreira para estar mais presente com sua família. Sim, essa graça é dada para as mulheres. Pois, todo ser humano direta ou indiretamente, tem em sua formação, a participação efetiva e eficazmente de uma mulher. Isso não desgasta a mulher, isso a torna feminina.

Praticando a hospitalidade

Por fim, se você já é casada, tem sua casa, faça como a Edith, e torne esse o lugar mais aconchegante para sua família e todos que frequentarem seu lar. Se você for sozinha, isso não é motivo para não praticar hospitalidade. A hospitalidade implica em abrir espaço e fazer as pessoas se sentirem bem-vindas. Isso pode ser tanto em nossos lares como em nossas igrejas.

Aliás, Jesus é o nosso exemplo de hospitalidade. Ele não fez acepção de pessoas. Por vezes, podemos  praticar cordialidade sendo bons ouvintes para aqueles que não têm com quem conversar. Além disso, podemos ser hospitaleiros ao aconselhar com sabedoria. Ou até mesmo, servindo uma refeição preparada com amor ao acolher a todos que se sentarem à nossa mesa.

Edith Schaeffer morreu em 2013 e deixou um legado enorme sobre como tornar a simplicidade do dia a dia mais bela. Quando os Schaeffers decidiram abrir sua casa para ajudar jovens estudantes com suas dúvidas sobre Deus, a respeito do mundo e suas vidas pessoais, surgiu então, o que conhecemos hoje como o L’Abri Fellowship, palavra francesa traduzida por “Abrigo”. A hospitalidade continuou a ser a marca que ajuda as pessoas nas reflexões sobre a vida cristã em todos os L’Abris pelo mundo.

Assim como Edith Schaeffer, nós podemos trazer luz na simplicidade do dia a dia. Trazer beleza com a fé.  Amando, servindo e sendo um bálsamo em meio a tantos conflitos. Encaminhando a Deus aqueles que em sua caminhada cristã ainda precisam de ajuda.  Demonstrando a realidade de Deus em como viver a beleza de nossa humanidade por meio da vida de Cristo.

 “Permaneça o amor fraternal. Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos”. (Hebreus 13:1,2)

Angela Tartas

Angela Tartas é uma escritora apaixonada pelas escrituras. Dessa paixão, surgiu a vontade de dedicar parte do seu tempo ao estudo da Palavra. Ela foi aluna da nossa escola de teologia e ministério (ETM) e continua sua busca por mais conhecimento sobre o Eterno. Formada em contabilidade, Angela serve como missionária, onde atua no departamento financeiro da fhop.

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