Hoje não é uma sexta-feira qualquer. De hoje até domingo, são dias em que para nós, cristãos, têm um peso central para nossa fé. A Cruz e a ressurreição são dois eventos centrais pelos quais baseamos nossa Esperança e que compreendem os mistérios no coração da fé cristã. Neste dia, Cristo se tornou o “Cordeiro Pascal” da nossa salvação. A sexta-feira santa nos lembra a escuridão experimentada por Cristo em nosso favor.

Agora pense comigo, se para o nosso tempo ainda é loucura pensar sobre a morte de Jesus Cristo, imagina naquela época. Ele era a esperança dos judeus que Nele acreditaram. Um rei tão aguardado. Mas, o que se espera de um rei? Que ele os liberte dos tiranos romanos, que esse rei seja justo, que traga uma saída, uma salvação. Não se espera que ele seja julgado e condenado. Qual a acusação sobre Jesus? De que Ele era Filho de Deus. (João 19:7) Blasfêmia! Gritavam os fariseus. Talvez para nós, ocidentais, isso não traga a seriedade e o peso ao pensarmos nessa acusação. Fato é que, isso fez com Jesus fosse condenado ao nível mais baixo de crime. A crucificação era uma penalidade tão extrema que chegava a ser dito que quem fosse crucificado, era maldito. Tanto que o lugar da crucificação era afastado da cidade, pois era impuro.

Ele, que era a vida, como está descrito em João 14:6: “o doador da vida, sujeitou-se à morte”. Ele, que não havia cometido pecado algum, sofreu a consequência ou o “salário” do pecado. Ao vir habitar entre nós, se tornando humano, Jesus se tornou mortal. E Ele não só sofreu a morte, como experimentou uma morte humilhante. Veja, escreveram em sua cruz: “Este é o Rei dos Judeus”.

A mensagem da Cruz nos ofende

Igualmente, Jesus teve que suportar os deboches e as zombarias ao ser questionado pelas autoridades: “Salvou os outros, então salve a si mesmo, se é o Cristo, o escolhido de Deus” ( Lucas 23:35). Mas, veja como é difícil entender, Jesus não estava ali para salvar a si mesmo, mas para cumprir seu propósito e salvar os seus. Para nossa Salvação, era necessária uma intervenção externa, um resgate. E para isso Jesus que estava ali, como resgatador. O homem não tem condição de se salvar, então nós fomos resgatados por meio do sacrifício de Jesus. Sim, a mensagem Cruz é loucura, porque em um mundo egocêntrico é difícil aceitar esse caminho de pensar no próximo, como Jesus fez.

A mensagem da Cruz é escândalo

Temos dificuldade com a Cruz por conta disso. Somos individualistas. A Cruz é um escândalo, é a identificação de Deus com o sofrimento. Agora, perceba como isso não é para qualquer divindade. Veja, como homem, Ele veio de maneira simples, em uma manjedoura e foi sepultado em um túmulo emprestado. O que aprendemos com isso? Ele viveu entre nós, inaugurou o reino de Deus na terra, mas como Ele viveu enquanto esteve aqui? Viveu de maneira simples, “Ele veio para servir e não para ser servido” ( Mateus 20:28). Por isso, a mensagem da Cruz não é atrativa. Queremos um Rei que demonstre força e esmague seus inimigos. Mas, aqui está o rei de Israel, o rei do mundo, um rei crucificado.

Admita, o que nós cremos é um escândalo e um absurdo. Talvez, as expectativas dos discípulos e até às nossas não foram superadas por Jesus. Mas, que possamos aprender com Ele, a cumprir a vontade do Pai e agradar somente a Ele. Jesus estava cumprindo um plano muito maior e mais elevado do que todos podiam perceber.

“Deram-lhe uma sepultura com os ímpios, e ficou com o rico na sua morte, embora nunca tivesse cometido injustiça, nem houvesse engano em sua boca”. (Isaías 53:9)

Aguardamos a Bendita Esperança que virá em Glória

Por certo, precisamos aprender com Jesus. Sua primeira vinda não foi em glória, mas foi em graça. Veja esse versículo: ” Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens e ensinando-nos para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos neste mundo de maneira sóbria, justa e piedosa, aguardando a bendita esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador, Cristo Jesus…” Tito 2: 11-13

Portanto, vemos que por meio da primeira vinda de Jesus, foi manifestada a graça, trazendo salvação. Aqui nós, gentios, entramos na história. A salvação nos alcançou também. Mas essa vinda de Jesus não foi reconhecida pelos judeus. Eles esperavam que Jesus os salvassem da tirania do Império Romano, mas Jesus tinha um propósito muito maior.

Certamente a morte de Jesus trouxe reconciliação, pôs fim à inimizade e à alienação que separava Deus do seu povo e o Judeu do Gentil. Trouxe perdão, redenção e a reconciliação, não apenas aos homens, mas com toda criação. A mensagem Cruz trouxe uma transformação de realidade e de vida. Aquele de quem os profetas na antiguidade tanto anunciaram e Aquele que fluirá toda a história subsequente. Mas veja, o versículo citado acima continua, a segunda vinda de Jesus Cristo, a nossa Bendita Esperança, virá em glória. Sim, seu retorno será em glória. Ele morreu, mas a sua morte foi só o começo, a ressurreição o aguardava.

Nossa Esperança é Viva

Por fim, nós cremos na sua morte e ressurreição. Sabemos que nosso caminho não será fácil, pois a Cruz é o nosso caminho e não existem atalhos. Somos exilados, aguardando o novo céu e a nova terra com Jesus conosco.

Nós não tínhamos condições de nos salvar, mas Cristo nos resgatou. Que privilégio nós temos. Somos tão gratos a Deus pois, esse final de semana não acaba em luto, Jesus ressuscitou, e a nossa Esperança é viva. Graças à ressurreição podemos contemplar o sofrimento de Cristo sem ser algo em vão, pois mesmo que o sofrimento faça parte da nossa existência, não é a palavra final. 

Nosso exílio terá fim e esse fim é por causa da obra da Cruz, onde o exílio termina, a esperança retorna. Com Jesus, a esperança futura é antecipada para o presente. Estamos unidos com ele na Cruz e unidos estaremos na ressurreição. Obrigada Deus, pois nossas vidas só são possíveis pelo seu sangue. A verdadeira Páscoa é a Salvação de nossas vidas conquistadas na cruz de Cristo.

“Contudo , foi da Vontade do senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer; apesar de ter sido dado como oferta pelo pecado, ele verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos.. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma e ficará satisfeito; com o seu conhecimento, o meu servo justo justificará a muitos e levará sobre si as maldades deles”. Isaías 53:10-11

Angela Tartas

Angela Tartas é uma escritora apaixonada pelas escrituras. Dessa paixão, surgiu a vontade de dedicar parte do seu tempo ao estudo da Palavra. Ela foi aluna da nossa escola de teologia e ministério (ETM) e continua sua busca por mais conhecimento sobre o Eterno. Formada em contabilidade, Angela serve como missionária, onde atua no departamento financeiro da fhop.

Este post tem um comentário

  1. Marcelo

    Eis aí a grande verdade da mensagem do Evangelho: pregar a Cristo morto sim numa cruz, mais vitorioso ao 3º dia, quando dentre os mortos ressurgiu vitorioso, para entregar ao homem a esperança de recuperação de vida eterna – Nele, por meio Dele recuperamos o direito de viver eternamente!!

    Esta é a páscoa, este é o Evangelho!!

Deixe uma resposta