O fruto do Espírito é a mudança em nosso caráter que ocorre por causa da obra do Espírito Santo em nós. Assim, quando falamos sobre domínio próprio (ou “temperança”), estamos falando sobre a capacidade de controlar a si mesmo por meio do Espírito Santo. Mas, isso envolve moderação, restrição e a capacidade de dizer “não” aos nossos desejos mais básicos e concupiscências carnais. Filipenses 2:13 diz que:

“é Deus quem está agindo em você, tanto para querer como para trabalhar para o seu agrado”. Tudo que há de bom em nós, é fruto da obra do Espírito em nossas vidas.

É importante ressaltar que o pecado ainda está presente até que nossa salvação seja completa. Mas o pecado não é mais soberano sobre nós, não está mais no comando. Pois as paixões e desejos foram crucificados por meio do sacrifício de Jesus.

“Os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências” Gálatas 5:24.

O conceito de domínio próprio

O próprio conceito de “domínio próprio” implica que existe ainda uma batalha entre um “eu dividido”. Isso implica que nosso “eu” ainda produz desejos que não devemos satisfazer, mas sim “controlar” ou “negar”. Todos os dias isso acontece, pois, nossa natureza caída ainda sofre influência do pecado (Romanos 6: 6). O mundo externo e os desejos internos ainda nos atacam (Romanos 7: 21-25). Logo, Jesus nos disse que devemos negar a nós mesmos, tomar nossa cruz diariamente e segui-lo (Lucas 9:23). Jesus também diz: “Esforce-se (lute) para entrar pela porta estreita” (Lucas 13:24). A palavra grega para “lutar” é agonizesthe, na qual você ouve corretamente a palavra “agonizar”.

A boa notícia é que isso é possível, pois Ele não nos deu esse mandamento e nos abandonou para fazermos isso por meio de nossas próprias forças. Na cruz, Ele deu um golpe mortal na paixão e no desejo pecaminoso e todos que estão em Cristo são nova criatura (II Cor. 5:17), são regenerados e têm o Espírito Santo. Afinal, é Ele quem nos capacita a viver essa realidade.

O poder do Espírito em nós

O Espírito Santo está incessantemente nos ajudando e nos fortalecendo para resistirmos ao pecado e gerando o fruto do domínio próprio em nossas vidas. Dessa forma, é dom, é fruto que vem do próprio Deus, mas nós ficamos diariamente diante da escolha entre satisfazer os desejos da carne ou viver pelo Espírito.

Como uma cidade vulnerável, devemos ter defesas. Os muros ao redor das cidades antigas foram projetados para impedir a entrada dos inimigos. Haviam juízes nos portões que determinavam quem deveria ter permissão para entrar e quem deveria permanecer do lado de fora. Assim, os guardas e os portões colocavam em prática essas ordens. Dessa forma, as cidades tinham o domínio de quem entrava e quem saia.

Por isso, nas nossas vidas também devemos ter defesas para impedir que “os inimigos entrem pelos portões”. Isso pode ser: evitar alguns relacionamentos, desenvolver comunhão profunda com irmãos que também amam ao Senhor, meditar na Palavra de Deus e orar.

O fato é que agora podemos andar pelo Espírito. Uma das provas da atuação de Deus em nossas vidas é a capacidade de controlar os nossos próprios pensamentos, palavras e ações. Podemos vencer a carne pois Ele venceu e nos capacita a vencermos. Podemos viver uma vida verdadeiramente justa, podemos e devemos.

“Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” Gálatas 5:25.

Segundo a Bíblia, caminhamos pelo Espírito

Deus matou a soberania da nossa carne e agora, caminhamos pelo Espírito, de acordo com Sua vontade e poder, conforme revelado nas Escrituras. Quando dizemos “não” pela fé no poder e prazer superior que há em Cristo, mesmo sendo difícil e doloroso, Cristo recebe a glória em nossas vidas nesse processo.

O Espírito nos instrui na preciosidade superior da graça, e capacitando-nos a ver e confiar tudo o que Deus é para nós em Jesus. “A graça de Deus apareceu. . . nos treinando para renunciar. . . paixões mundanas. . . na era presente” (Tito 2: 11-12).

O domínio próprio nos leva a deixar de lado a gratificação instantânea do mundo. O autocontrole é um dom que nos liberta de focarmos somente no hoje, na satisfação momentânea, e nos faz olhar para o futuro e para a plena satisfação que teremos em Cristo um dia. Ele restringe a condescendência com nossos desejos caídos e encontramos a liberdade de amar e viver como fomos destinados.

Quando realmente vemos e cremos no que Deus é para nós pela graça por meio de Jesus Cristo, o poder dos desejos pecaminosos é quebrado. Portanto, a luta pelo domínio próprio é uma luta pela fé.

“Combate o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna para a qual você foi chamado.” 1 Timóteo 6:12

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