Anonimato nos perturba. É quando isso acontece que muitas vezes entendemos que é hora de mudar. Mudar de emprego, de cidade, de ministério, enfim, de fazer algo que nos dê visibilidade.

Não existe nada essencialmente errado em buscar um “lugar ao sol”. Buscar meios que nos distanciem de uma vida de obscuridade e quem sabe até de abandono. É legítimo e faz parte de nossa essência buscar o reconhecimento e a apreciação.

Mike Bickle escreveu um livro intitulado “Os sete anseios do coração humano”. Este livro me ajudou muito a colocar em perspectiva correta alguns dos anseios e sonhos que carregava em meu interior de forma embrionária.

Foi a leitura deste livro que estabeleceu um pano de fundo saudável e bíblico em minha vida. Isso me possibilitou lançar-me de forma consciente e voluntária na vida de anonimato. Isso pode parecer contraditório à primeira vista.

Recentemente o convite a essa vida de anonimato foi reforçado pela leitura de um outro livro, cujo título ainda não tem tradução para o português (Unseen) escrito por Sarah Hagerty.

Mas é o livro dos livros que me assegura que a vida vivida diante da audiência de apenas um par de olhos, é a que conta. São aqueles momentos de nossos dias, semanas, meses e anos, em que ninguém parece reconhecer ou aplaudir nosso esforço. Nossa dedicação, comprometimento, nossas dificuldades, sucessos e fracassos, nos deixam mais parecidos com nosso Mestre.

Abraçar o anonimato e o estilo de vida de um servo é um golpe mortal nas raízes de nosso orgulho. Autossuficiência, arrogância, independência e todos aqueles brotinhos quase invisíveis aos olhos naturais, que geram frutos que nos levam por um caminho de morte, são aniquilados no processo.

A diferença entre o veneno e o remédio está na dose que aplicamos. É sábio perseguir sonhos, ter ambições, metas, não ser passivo em relação ao que já foi colocado em nossas mãos e pelo que somos responsáveis, mas é extremamente nocivo perseguir o reconhecimento diante de uma estação em que Deus nos conduz ao anonimato.

O anonimato tem seu papel em nossa jornada. Deve ser identificado e celebrado como uma estação que nos conduzirá à maturidade. Nos fará crescer para baixo. É pra este lugar que devemos aprender a crescer primeiro, antes de construir o que será visto na superfície.

É sabido que quanto mais alto o prédio, mais forte precisa ser seu alicerce, seus fundamentos. Esse foi o motivo pelo qual Deus estrategicamente enviou Jesus como nossa pedra angular. Pedra sobre a qual somos chamados a construir, com garantia de que não seremos abalados. (Ef. 2.20 e Sl. 118.22).

Além disso estaremos em muito boa companhia quando permitirmos que Deus nos prepare pra este lugar de visibilidade. O anonimato remove de nossas entranhas tudo o que compete e nos rouba de um lugar de dependência dEle.

Nesta escola se matricularam José, durante os anos que ficou na prisão. Abraão e Sara, enquanto esperavam por Isaque. Davi, enquanto esperava pelo trono para o qual tinha sido ungido e que lhe pertencia por direito, isso pra citar apenas alguns.

Se os processos de Deus o conduzem por vielas mal iluminadas, onde muitas vezes a dúvida e o isolamento geram uma sensação de inadequação e até de confusão; não lute pra preservar sua reputação ou permita que a dúvida o roube de uma posição de perseverança. Creia que o anonimato é parte integrante do processo de Deus conosco pra nos conduzir pra nosso destino nEle.

“Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em SECRETO; e teu Pai, que VÊ EM SECRETO, te recompensará.” Mt 6:6

“Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de ser descoberto, nem oculto que não haja de ser conhecido.”  Mt 10:26

Grace

Grace Wasem, gaúcha, atuou como secretária no mercado de trabalho por 30 anos. Em 2016 vinculou-se ao FHOP como missionária tempo integral. Sonha ver e contribuir para o treinamento de uma noiva apaixonada que clama: Maranatha!

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