Algo relacionado a adoração mexeu comigo de maneira constrangedora ultimamente. Adianto e confesso para você, que é um tanto quanto desconfortável esse tema, porém, necessário.

Está em alta hoje em dia postagens e desafios nas redes sociais sobre gratidão. “Pelo que você é grato?”, “agradeça mais, reclame menos”, “pratique gratidão” e por aí vai. Não sou contra nada disso, pelo contrário. Acontece que quando se trata de adoração, ficar garimpando a zona da gratidão para encontrar motivos que extraiam de nós uma adoração verdadeira não é um caminho digno.

Você já se percebeu ou se lembra de em um momento de adoração, como em um culto, você começar a pensar e buscar motivos pelos quais você poderia conseguir fluir em adoração? Aí começa a inconscientemente praticar esses exercícios de gratidão e pensamento positivo, para conseguir extrair alguma coisa de você mesmo para dar ao Senhor?

Então, isso me parece colocar a adoração codependente de algo inconsistente, mutável e errado. Mas o que há de errado nisso? Vou tentar indicar um problema aqui.

A ADORAÇÃO DEVE SER CRISTOCÊNTRICA

Primeiramente, o evangelho e o cristianismo são totalmente cristocêntricos. Isso quer dizer que não é o homem que está no centro. O propósito de toda história inclui as nossas vidas, nossa salvação e redenção, mas não é sobre nós. É tudo sobre o Senhor e tudo para a Sua própria glória.

Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade.
Salmos 115:1

O QUE É A VERDADE?

Quando nossos sentimentos, percepções e consciência são o motor da nossa adoração isso aponta que existem coisas fora do lugar nesse dinâmica. Pois a adoração não deve partir de algo que depende de nós, nem mesmo o fim dela é o nosso deleite.

Somos uma geração viciada nos sentidos, e isso é bom e eficiente para muitas coisas na contemporaneidade. Mas tendemos a nos fixar na crença que “só é real se estou sentido’’, e Deus não funciona assim, e nada realmente solido se estrutura assim. A Sua palavra é a verdade, não nossos sentimentos. João afirma, enfaticamente que: Deus é maior que nosso coração;  (1 João 3:20)

CONSCIÊNCIA DE QUEM ADORAMOS

Ah se tivéssemos consciência do Deus que adoramos! Diante de quem Ele é não precisamos buscar justificativas para adorá-lo. Não precisamos ficar como se buscando pepitas de ouro da sua bondade na jornada da nossa vida, até encontrar algo de bom que podemos usar para cantar “O Senhor é bom” e nos emocionar.

Ele é Deus! Isso já basta para Ele ser digno de ser adorado. Ele se descreve para Moisés como o ‘’EU SOU O QUE SOU’’ (Ex 3:14). Nada o define, ou rótula. Ele é inefável.

O motivo da nossa adoração não é o que Ele faz por nós, é ‘simplesmente’ quem ele É. Nós o louvamos pelas suas obras, mas o adoramos pela sua existência, essência e realidade. Isso não sofre qualquer abalo ou mudança.

Se nossa motivação na adoração forem coisas externas a Ele, haverão muitos dias que não encontraremos e nem sentiremos motivos para tal. Certamente, existirão dias maus que todas as circunstâncias tentarão negar Sua bondade e amor. Mas, o seu caráter é imutável e Ele continua sendo bom e amoroso mesmo quando não percebemos ou sentimos. Então Ele continua digno de ser adorado.

DESENTRONIZANDO NOSSO EU DO LUGAR DE ADORAÇÃO

Estando diariamente em uma sala de oração é comum dias que não há muita emoção e êxtase na adoração, e tudo bem, porque o propósito da adoração não é o prazer do homem adorador, mas a Glória devida Àquele que é adorado.

Constantemente, como muito zelo o Espirito convida o nosso eu, que quer reinar, a se levantar do trono central da adoração e reconhecer o Senhor e Dono desse trono. Inquestionavelmente, apesar de nós e das nossas circunstâncias Ele é digno de que prostrados, com rostos cobertos, lançarmos nossas coroas diante Dele.

O motivo, o centro e o fim da nossa adoração é o SENHOR!

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