Há algo sobre Jesus no Getsêmani que enchi o meu coração de fé e esperança. Mesmo sendo Deus, Jesus em sua humanidade se identificou com a minha humanidade. Ele sabe o que sentir-se angustiado em dias de constante perseguição, não apenas em seu corpo físico, mas em sua alma.

“Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo.” Mateus 26.38

No Jardim do Getsêmani tudo estava sem brilho naquela noite, obscuro, cinzento e triste. Sua alma estava dilacerada, pois se aproximava a hora de sua morte. Ele conhecia as profecias, sabia o que estava descrito em Isaías 53. Sabia que seria moído pelos nosso pecados e transgressões. E bem ali naquele jardim, Jesus buscava os seus amigos para vigiar com ele. E dividir o pesado fardo que estava em seu coração, as angústias de sua alma. Mas os seus amigos não conseguiram perceber a profundidade de sua dor, e de tão cansados, adormeceram.

“E, voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os seus olhos estavam pesados.” Mateus 26.43

Quais foram as vozes que Ele ouviu naquela noite em meio a tantas tormentas no seu interior? O que o Diabo soprava em seus ouvidos durante toda a madrugada? A Bíblia relata que até mesmo sangue ele suou e que por três vezes pediu que se possível Deus passasse dele aquele cálice, mas que não fosse feita a sua própria vontade, mas a do Pai.

“Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.” Mateus 26.39

Um anjo esteve com Ele à consolá-lo, porque os seus amigos de pesado sono adormeceram. Mas Ele não desistiu e carregou sobre Ele toda a malícia da humanidade, todos os nossos medos, desconfiança, injustiça e dolo. Todas as nossas dores e angústia de fato são conhecidos pelo Deus do nosso amor.

“[Então, lhe apareceu um anjo do céu que o confortava. E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.] Lucas 22.43,44

Porque para Ele não é suficiente: “falar a língua dos anjos e dos homens, se não tiver amor”, isso seria apenas “como o bronze que soa ou como címbalo que retine” (II Coríntios 13.1). Sim, seria apenas palavras que não conhece verdadeiramente o que é amor. Por isso, Cristo entregou a sua vida na cruz, para que possamos experimentar desse amor que nos transforma de dentro para fora.

Quando paro para pensar na profundidade da mensagem da cruz. Na profundidade do amor de Deus. Dessa Trindade que é Santa e vivia em plena unidade e paz, em um relacionamento intenso de amor indescritível em palavras. Que ainda assim, decide repartir seu amor conosco. Isso é quase impossível de compreender. É impossível imaginar tal verdade, sem o toque do Espírito que confirma em nosso próprio espírito que Ele nos ama. E, assim eu sei, que o seu amor por nós é real e imensurável. Foi por isso que Ele enfrentou o Getsêmani com total coragem, mesmo passando pelo agonia que precedeu a cruz, e depois a própria cruz, e a morte, e o inferno.

Sim, foi por amor. Essa palavrinha de quatro letras, que usamos às vezes de forma tão descartável e superficial, que perdemos o sentido do que ela realmente significa. O amor de Deus muda as coisas pra nós, de fato nos transforma. E minha oração hoje é para que sejamos inundados por este amor. Para que possamos sentir o frescor da sua doce presença em nosso homem interior, gerando em nós muita fé e esperança.

Nem todas as noites serão escuras como no Getsêmani. Ele morreu para que você e eu saibamos o que é amor. Lembre-se, que o choro pode até durar uma noite. Mas a alegria virá pela manhã porque Jesus ressuscitou e hoje Ele vive, reina e reinará para sempre.

Nayla Cintra

Nascida em Mato Grosso, Nayla é missionária em tempo integral desde 2011, tendo já servido durante 4 anos na JOCUM (Jovens Com Uma Missão) e quase 2 anos como missionária intercessora no FHOP (Florianópolis House of Prayer). Atualmente dedica uma parte do seu tempo para ensinar artes para crianças em uma ONG em Florianópolis e outra parte do tempo para trabalhar com justiça social, com foco em tráfico humano. Nayla carrega um coração para pessoas em situação de vulnerabilidade social, ama o mundo artístico e criativo, é apaixonada por missões, mas tem como maior desejo ver o nome de Jesus sendo conhecido entre todos os povos e tribos da Terra.
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