Há tantas coisas que me confrontam no evangelho, às vezes, sinto como um murro na boca do estômago. Sei que parece forte o que estou propondo aqui e já quero explicar que não tenho com isso a intenção de gerar culpa ou desistência. Mas, quero refletir no tipo de evangelho que temos pregado e naquele que temos conseguido viver.

Por exemplo, o amor que tanto falamos não é algo apenas teorizado, mas precisa consistir em ações práticas em favor do próximo. Um dia será demonstrado ao amigo mais chegado que o irmão e no outro, quem sabe, a um “estranho” na rua. De qualquer forma, este amor consistirá em ação e não apenas em meras palavras ou teorias. Além disso, não são ações legalistas. Mas, algo extremamente profundo e real. Algo que abalará a estrutura das nossas vidas.

Acredito que a maioria de nós fazemos parte de uma comunidade, uma igreja, um povo que ama a Deus e quer servi-Lo de todo coração. Hoje, quero que pensemos  no tipo de comunidade cristã que nós desejamos ter, ou melhor: ser. Como povo de Deus, como nós queremos ser conhecidos? Sejamos de grandes ou pequenas igrejas, que tipo de referência queremos deixar?

Se observarmos o Novo Testamento poderemos perceber que eles também tiveram problemas de relacionamentos e divisões. Paulo mesmo encorajou a Igreja e aconselhou os irmãos a viverem em unidade. Ele até mesmo citou casos específicos em suas cartas e você poderá pesquisar sobre isso. O que quero destacar aqui, o que amo, está descrito em Atos dos Apóstolos. Quando o Espírito de Deus foi derramada e avivamento aconteceu, isso gerou unidade e um mesmo coração entre o povo de Deus.

“Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nenhuma das coisas que possuía ; tudo, porém, lhes era comum.” Atos 4.32

Mas, vamos pensar de forma prática? Olhe agora para a sua comunidade local. Talvez hoje você saiba de alguém que precise de algo…. seja emocionalmente, financeiramente ou algo do tipo. Saiba que hoje você poderá se tornar a resposta de uma oração. Você já experimentou isso? Se tornar a resposta de uma oração? Há alguém que esteja doente? Há alguém que tenha sofrido perda? Há alguém que precise de pais? Há alguém que precise de uma demonstração prática de amor? Eu e você podemos representar esse abraço apertado, a provisão, amor sincero e abnegado de Deus.

Um dia ouvi a história de uma missionária do Rio de Janeira que trabalhava em uma comunidade carente subindo o morro para evangelizar. Em uma de suas visitas ela encontrou uma pessoa faminta, sem nada para comer e a missionária não tinha se preparado para aquela situação, ela não tinha comida para oferecer naquele momento. Ela evangelizou dizendo à mulher que Jesus a amava…  Depois desceu o morro muito consternada por tudo o que presenciou e o Senhor lhe falou algo muito profundo aquele dia. “Nunca mais, fale a alguém que eu o amo se você não tiver nem ao menos um prato de feijão para oferecer.”

Espero que você não entenda mal esse exemplo. Sim, Jesus ama as pessoas e tem certos momentos que não será nossa responsabilidade “resolver” o problema com que nos deparamos. Mas, às vezes, nós somos muito rápidos em nos omitir e dizer que o problema não é nosso, você não acha?

“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isto praticai; e o Deus da paz será convosco. Filipenses 4.8-9

Nós aprendemos, recebemos, ouvimos, vemos pelo exemplo e decidimos praticar. Isso não significa que será fácil. O evangelho é desafiador. O exemplo de Jesus é desafiador. Mas, o Deus da paz estará conosco. Ele é o exemplo a ser seguido. Não praticaremos o amor na nossas força, mas em sua graça infinita e eterna. Seu Espírito nos ajuda em todas as coisas. E para Ele tudo é possível.

O evangelho me desafia. O amor de Deus me desafia. Desafia a olhar as pessoas por outras perspectivas. Me desafia a ser resposta. Eu me sinto tão pequena. Eu me sinto tão desafiada a ser como Jesus. Eu sei que eu dependo d’Ele para isso. Sim, dependo da graça de Deus para isso e você?

Nayla Cintra

Nascida em Mato Grosso, Nayla é missionária em tempo integral desde 2011, tendo já servido durante 4 anos na JOCUM (Jovens Com Uma Missão) e quase 2 anos como missionária intercessora no FHOP (Florianópolis House of Prayer). Atualmente dedica uma parte do seu tempo para ensinar artes para crianças em uma ONG em Florianópolis e outra parte do tempo para trabalhar com justiça social, com foco em tráfico humano. Nayla carrega um coração para pessoas em situação de vulnerabilidade social, ama o mundo artístico e criativo, é apaixonada por missões, mas tem como maior desejo ver o nome de Jesus sendo conhecido entre todos os povos e tribos da Terra.

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