Um sorriso na chuva

Um dia de chuva

Já era tarde. Ventando forte. Chuva fininha, cortante como uma navalha. Noite chuvosa de quinta-feira na Rua João Pio Duarte. Lá estava eu, andando a passos rápidos em direção à minha casa depois de um dia intenso de serviço na base.

Vagueando por meus pensamentos, conjecturando o próximo dia na expectativa do realizar, do produzir, e do conquistar… Quem nunca?!

Quando dei por mim, percebi um alguém que pulava e dançava à uma distância relativamente segura. Digo segura porque penso: Quem pularia e dançaria em noite fria na chuva? Gente “normal” não faz isso.

Finalmente o que estava distante se tornou perto… e mais perto…  e muito perto. Aquele alguém era um jovem de aparentemente 40 anos, que em seu frenesi de alegria, parou, sem maiores explicações, em minha frente e me olhou nos olhos. Em meio à surpresa, tentei desviar do mesmo, que não permitiu a minha passagem. Rapidamente, sem encarar e em silêncio, eu tomei rumo ao outro lado, e com a mesma velocidade ele se pôs em minha frente. Em uma rápida sensação de adrenalina, encarei o fortunoso rapaz,  e lhe perguntei: Está tudo bem?

Então em silêncio fúnebre e expressões estáticas, eu me mantive sério e descontente, e ele se mantinha sorridente e despojado. Em questão de segundos, que por algum motivo pareceram minutos, o vivaz rapaz de olhos castanhos, barba bem aparada e sorriso branquinho me disse: Sorria!!!

Cristo é suficiente para me fazer sorrir

Depois de endereçar a mim tal palavra, por fim me deu passagem e continuou sua jornada, pulando, cantando, e sendo livre. Eu fiquei ali parado… parado na chuva. Olhando o precursor seguindo seu caminho sem se preocupar com o que os outros estavam pensando dele. Um homem iluminado que naquela noite me mostrou algo que estava em minha frente, mas não conseguia enxergar.

Nos preocupamos tanto com o “fazer” a vida, que esquecemos de viver a vida. Queremos o que não temos. Trabalhamos por aquilo que acreditamos ser importante, necessário, e indispensável, mesmo este talvez não sendo.

Deste modo esquecemos que a vida é um presente e, ao mesmo tempo um empréstimo do Eterno. Certamente um dia vamos prestar conta não somente do que fizemos, mas do que não fizemos também. Do abraço que negamos. Do sorriso que escondemos. Do amor que constantemente somos mesquinhos ao compartilhar. Gastamos tanto tempo para ter e ser, que esquecemos do que já somos e do que já temos. Que somos filhos e temos acesso ao Pai, que está conosco sempre, todos os dias, ate a consumação do tempo.

Na rotina da vida e no labor da selva de pedra, cometemos o ato falho de esquecer a presença daquele que nos criou. Logo, esquecemos que sua graça nos basta, e que Cristo é suficiente para me fazer sorrir, celebrar e viver a vida da maneira correta.

Fazei tudo para glória de Deus

Nosso desafio é entender que nas noites de chuva, eu tenho sim motivo para sorrir. Que nos dias onde penso que preciso andar rápido e ser perfeito para prosperar, eu sim posso parar e ouvir meu mestre dizer: Filho! Pare e sorria! Afinal, eu estou com você. Não é na sua força, e nem é pela sua violência. É pelo meu Espírito.

Sorrir na chuva é entender que a vida deve ser vivida diante da face de Deus, sabendo que tudo coopera para o bem daqueles que o amam.

Logo, quero fazer um convite a você, querido leitor: Na próxima vez em que pegar uma noite chuvosa de frio cortante, pensando que tem muitos problemas e coisas pra fazer, problemas a solucionar dividas a pagar…

Pare tudo e sorria!

“Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.” 1 Coríntios 10:31

 

Escrito por: Ãabaram Bezerra – Facilitador Fhop School

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Este post tem um comentário

  1. Regina

    Amei ….palavras edificantes

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